Atropelamento em Londres

"Tinha muita gente chorando, revoltada, mas não houve violência", diz jornalista gaúcha

Cynthia Vanzella acordou com gritos de vítimas e testemunhas de atropelamento no começo da madrugada em Londres

Por: Bruna Porciúncula
19/06/2017 - 01h16min | Atualizada em 19/06/2017 - 13h06min

Foi num sobressalto, com a gritaria que se formava na Seven Sister Road, uma extensa avenida de Finsbury Park, bairro ao norte de Londres, que a jornalista gaúcha Cynthia Vanzella, 33 anos, acordou pouco depois da meia-noite no horário local (20h no horário Brasil) desta segunda-feira. Ela assistiu da janela de seu apartamento, no segundo andar de um prédio, aos momentos seguintes ao atropelamento que colocou a população londrina frente a um fato que reacende o receio de mais atentados terroristas na cidade.

Cynthia vive há seis anos na cidade e há três no bairro que considera tranquilo e de grande diversidade cultural e religiosa. Por telefone, ela conversou com a reportagem de ZH.

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Você viu o atropelamento?
Não, eu estava já deitada, quando ouvi uma gritaria. É uma região movimentada sempre, mas era uma gritaria diferente, então, levantei para ver. Foi quando eu notei um grupo grande de muçulmanos, em número bem maior do que o de costume, fazendo sinais com as mãos.

Eles estavam saindo de uma das mesquitas que ficam aí perto?
Sim, tem uma mesquita a uma quadra de onde ocorreu o atropelamento. Mas aqui é um bairro com muita diversidade cultural e religiosa, não é um lugar rico, nem muito pobre e não é turístico. Tem até uma Igreja Universal aqui perto. É rotina, depois das orações, eles (os muçulmanos) ficarem por aqui conversando. Como é o mês do ramadã, o grupo que estava parado na esquina era umas quatro vezes maior do que o de costume. Tomou conta de uma das pistas da Seven Sisters Road.

Quantas pessoas foram atropeladas?
Eu vi que duas foram levadas pelas ambulâncias. A polícia chegou muito rápido, acredito que estava passando por aqui no momento em que tudo aconteceu, porque, em minutos, havia muitos policiais atendendo às vítimas. Eles faziam massagens tentando reanimá-las. Aí, eu percebi que a coisa era séria. Somente depois que a van da polícia saiu, eu consegui ver que havia uma pessoa deitada no chão morta. Até onde consegui identificar, parecia ser um homem.

Houve pânico?
Em um momento, eu vi que algumas pessoas empurraram um homem para os policiais, algo do tipo "olha, foi ele, podem levar", mas não houve violência. A polícia levou uma pessoa. Tinha alguns chorando, gritando, um pouco revoltados, mas não teve violência.

A população recebeu alguma orientação?
Não, acho que não, até porque as pessoas estavam dormindo quando tudo ocorreu. Só quem ouviu os gritos acordou, o resto seguiu dormindo. Já passava da meia-noite.

Você acredita que seja um ato terrorista?
Olha, não sou polícia, mas não me parece ter sido terrorismo. É um bairro de muita diversidade, não fica perto de pontos turísticos. Pode ser, sim, um crime de ódio ou um lunático no trânsito, mas acho que não foi um atentado.

Agora são quase 4h30min aí. Há alguma movimentação?
Tem um grupo de muçulmanos rezando onde ocorreu o atropelamento. E ainda vejo o corpo coberto da pessoa que morreu.

O incidente muda a sua relação com a região?
Não, não muda, assim como os atentados não mudaram em nada minha relação com a cidade. A vida tem de seguir normal, não deixo de fazer nada. Claro que a gente não quer que essas coisas ocorram, mas se elas ocorrem, só deixam a cidade mais unida.

*ZERO HORA

 
 
 
 
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