Não é só a governadora Yeda Crusius que sonha construir uma nova ponte sobre o Guaíba. Enquanto a iniciativa oficial não avança, até porque o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) ressalva que é apenas uma ideia ainda não detalhada, projetos independentes ganham espaço, estimulados por prefeituras de cidades beneficiadas. A estimativa é de que 50% dos 40 mil veículos que congestionam a Travessia Getúlio Vargas, a única existente sobre o Guaíba, optarão pela nova ponte, se ela virar realidade.
- Mais da metade do trânsito que cruza o Guaíba é oriundo de outras regiões, como o polo metal-mecânico da Serra, o coureiro-calçadista do Vale do Sinos e o Litoral Norte. Muitos veículos vão ao porto de Rio Grande - analisa o engenheiro civil Carlos Alexandre de Ávila, da Empresa de Arquitetura, Engenharia e Consultoria.
A firma, de Porto Alegre, elabora há pelo menos três anos um estudo que coincide com a proposta do governo. A iniciativa conta com apoio e incentivo de cidades da Costa Doce - situadas no lado oeste da Lagoa dos Patos.
Para Ávila, a ponte entre o Lami e Barra do Ribeiro representa a ligação do porto de Rio Grande com a BR-101 (um dos corredores do Estado com o centro do país), quase sem ingressar por Porto Alegre. A travessia tem 6,6 quilômetros (bem maior do que a atual), mas o engenheiro diz que é bem mais fácil de construi-la. A maior parte da água é rasa, com poucos metros de profundidade, o que demanda fundações de menor porte.
Segundo ele, a nova travessia levaria desenvolvimento para municípios da Metade Sul bastante carentes. Ainda mais se for feita, como ambiciona o Estado, a ligação da ponte com as BRs 116 e 290 na criação de um rodoanel aos moldes paulista.
O Daer diz que nem sequer existe escritório para elaborar o projeto. A obra depende de liberação da segunda parcela de empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial, mas a Secretaria de Infraestrutura assegura que, mesmo sem recurso internacional, teria condições de executá-la. O desejo é fazer o anúncio oficial nas próximas semanas e iniciar o rodoanel em 2011.
20 mil veículos por dia usariam a nova ponte sobre o Guaíba
Caso seja construída, ligação reduziria pela metade o fluxo na atual travessia
Humberto Trezzi / Brasília
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