Crônicas da Estação: o inverno combina com a alma gaúcha

Cagê é o quinto integrante do Pretinho Básico a dar suas impressões sobre o frio

29/07/2010 - 03h29min

Zero Hora convidou os integrantes do programa Pretinho Básico, da Rede Atlântida, para contar qual a imagem que eles têm do frio. Pode ser uma lembrança de infância, um filme, um livro, um período de férias. Até o próximo domingo, durante a última semana de férias de inverno, eles vão esquentar este espaço com suas impressões. O quinto da série é Cagê:

São Francisco de Paula. Não poderia estar numa cidade melhor para escrever sobre o inverno. Da janela do café onde estou, consigo avistar o Lago São Bernardo, com suas luzes amarelas refletindo nas águas geladas. A paisagem empresta ares de bucólicas cidades europeias. As ruas vazias no cair da noite já deixam claro que teremos mais uma madrugada abaixo de zero. Adotei esta cidade para curtir os finais de semana por causa do frio. O frio que mora dentro de mim, assim como mora dentro de todos os gaúchos. A estética do frio, como sabiamente denominou o nosso poeta Vitor Ramil, nasce com o gaúcho. No meu caso, numa madrugada de 27 de agosto chuvosa e fria, conforme relato de minha mãe.

O frio combina com o interior do Rio Grande do Sul. O cheiro de lenha queimada é inesquecível. Onde quer que o gaúcho esteja, seja em qualquer estação do ano, é só fechar os olhos e deixar aquele cheirinho invadir a alma. Experimente você aí. E é em cidades do Interior, como São Chico, que essa impressão se torna mais pronunciada. Pelo maior número de casas com lareiras e fogões a lenha, menos poluição sonora e visual, as delícias do inverno ficam mais notáveis.

Rio Grande do Sul tem inverno diferente

Desde a lembrança da pedra fria das arquibancadas do Estádio Olímpico até o aconchego do pelego quentinho em frente à lareira, o inverno faz parte do cotidiano do gaúcho. E cada vez que ele chega, reserva mais surpresas e delícias para os seus anfitriões. Não poderia me imaginar morando numa região que não tivesse inverno. As semelhanças de hábitos com os irmãos uruguaios e argentinos dão o toque diferenciado do nosso inverno em relação às outras regiões do Sul. O chimarrão, a vestimenta do gaúcho, o pampa de Borges, a milonga. Essa proximidade com os dois países, faz com que o Rio Grande do Sul pareça muito mais um puxadinho de Uruguai e Argentina do que exatamente uma pontinha pertencente ao sul do Brasil.

Através da janela embaçada, consigo avistar a ponta de uma árvore sem folhas. O vento frio balança as luminárias que se espalham ao redor do lago. Ouço somente o barulho dos sapos e dos grilos. Encho minha cuia de água quente e penso, ainda bem que nasci no Rio Grande...

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