Gaúcho relata drama a bordo de avião que caiu na Colômbia

Avião se rompeu em três partes, após a queda pouco antes do pouso, em uma ilha

Atualizada em 17/08/2010 | 09h3317/08/2010 | 05h11
Gaúcho relata drama a bordo de avião que caiu na Colômbia Arquivo Pessoal/clicRBS
O casal Caroline e Tiago em Balneário Camboriú Foto: Arquivo Pessoal / clicRBS
Quando se preparava para pousar na ilha de San Andrés, na Colômbia, ontem, um Boeing 737-700 da empresa Aires surpreendeu o mundo. Em meio a uma tempestade, o avião se partiu ao tocar o solo e pegou fogo. O milagre é que 130 pessoas, entre passageiros e tripulantes, escaparam da morte. A única vítima foi uma colombiana de 73 anos, que sofreu um infarto.

Entre eles, estavam quatro brasileiros – o casal gaúcho Tiago Cavalcanti Vieira Gonçalves, 27 anos, e Caroline Correia da Costa Gonçalves, 28, grávida de três meses, e um casal fluminense. Os quatro, moradores de Tabatinga (AM), na fronteira com a Colômbia, viajaram para a ilha do Caribe a turismo.

Ouça o relato do gaúcho:


– Quando o avião se partiu e começou a pegar fogo, eu só pensava em sair dali e salvar a minha esposa – contou o bajeense Cavalcanti a Zero Hora, às 22h de ontem, em meio à recuperação da mulher na clínica Villa Real, em San Andrés.

Há um ano e oito meses servindo na Amazônia, o militar contou onde estava sentado.

– A gente estava três poltronas atrás de onde o avião se partiu – detalhou Cavalcanti, que se formou na Academia Militar das Agulhas Negras e serviu em Pelotas antes de migrar para o norte do país.

Às 5h de ontem, quando o telefone tocou na casa da família, em Porto Alegre, Lucas Antonio Vieira Gonçalves, 22 anos, o irmão mais novo do tenente, pensou no pior:

– Numa hora dessas, a gente nunca tem notícias boas.

As notícias, de fato, não eram boas. Do outro lado da linha, no Caribe, Cavalcanti, sempre preocupado com a família, narrava o improvável:

– Ele estava muito nervoso. Disse que caiu o avião em que viajavam, mas que ele e a Carol estavam bem e que o bebê, até aquele momento, também estava bem.

Estudante de Engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lucas só teve a dimensão da tragédia de que seu irmão e sua cunhada haviam escapado quando as primeiras imagens do desastre começaram a chegar.

– Quando vi as imagens, me apavorei – relatou Lucas.

A preocupação, agora, é que Caroline não perca o bebê, que será a primeira filha do casal. A seguir, o relato de um sobrevivente:

Zero Hora – Quando vocês perceberam que havia algo errado com o avião?

Tiago Cavalcanti Vieira Gonçalves – O avião estava rápido, muito perto do solo, e a gente achou que ele ia pousar na água. Quando eu olhei para a janela, vi que o avião estava muito baixo e que não ia dar tempo.

ZH – Como foi o impacto no solo?

Cavalcanti – Quando ele bateu na pista, se desmanchou e começou a pegar fogo. Era muito fogo. A reação foi de desespero. Todos gritavam querendo sair do avião. Foi tudo muito rápido.

ZH – Como vocês conseguiram sair do avião?

Cavalcanti – Eu e a minha esposa conseguimos nos salvar porque estávamos na parte do fundo do avião, três poltronas atrás de onde a asa se partiu. Quando o avião tocou o solo, eu soltei o cinto de segurança e saí correndo para ajudar ela a sair.

ZH – Foi difícil sair do avião?

Cavalcanti – Sim. Saímos pulando. Estava chovendo. E conseguimos abandonar a aeronave. A gente não ficou preso na fuselagem. Deu tempo de sair e pular do avião.

ZH – Vocês conseguiram ajudar alguém a sair?

Cavalcanti – Não deu tempo de ajudar ninguém. Eu só pensava em salvar a minha mulher, que está grávida de três meses.

ZH – Pelo relato dos médicos, ela corre algum risco?

Cavalcanti – Ela corre o risco de perder o bebê. Além de ter pulado do avião, foi muito estresse em toda a operação.

ZH – O que passa pela cabeça num momento desses?

Cavalcanti – Só passava uma coisa pela minha cabeça: sair daquele avião. Achei que avião ia explodir, e eu não ia morrer queimado com a minha esposa lá dentro. Eu só queria me salvar e salvar a minha esposa. Só tive a certeza que ia escapar quando consegui sair pela asa esquerda do avião.

ZH – Qual era o motivo da viagem?

Cavalcanti – A gente tinha tirado uma semana para aproveitar a Ilha de San Andrés. Era para ser uma viagem de lazer e descanso.

ZH – Você já falou com os seu familiares em Porto Alegre?

Cavalcanti – Sim, consegui falar com eles por telefone. Eles estão emocionados e orando por nós. Espero que a minha mulher não perca o nosso primeiro filho.

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