Pesquisa indica futuro catastrófico para o clima no Rio Grande do Sul

Gaúchos terão de mudar seus hábitos para evitar maiores danos

28/09/2010 - 03h38min

Se os gaúchos não mudarem os hábitos em relação ao ambiente, o futuro que se esboça para o Rio Grande do Sul beira a catástrofe: entre os efeitos perversos previstos, estão a multiplicação de eventos climáticos extremos, como secas e inundações, o aumento da temperatura média em até 4°C e a restrição ao consumo de água. O alerta faz parte do Plano Ar, Clima e Energia (PACE), um projeto de cooperação entre a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e o governo francês, cujos resultados preliminares serão apresentados hoje, em Porto Alegre.

Oprojeto começou em março e deve seguir até junho de 2011. Na primeira fase, finalizada em setembro, os especialistas traçaram um diagnóstico inicial da situação ambiental do Estado, com base em estudos já existentes, feitos por diferentes instituições – entre elas a própria Fepam, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e universidades gaúchas.

– Coletamos as informações disponíveis e cruzamos os dados. Com isso, foi possível definir vulnerabilidades específicas e fazer algumas previsões, baseadas em cenários otimistas e pessimistas, que podem ser modificadas – explica Charlotte Raymond, coordenadora da equipe de consultores franceses do PACE.

No que se refere à evolução do clima, se nada for feito nos próximos anos, os estudos indicam que, em 2050, o Rio Grande do Sul poderá ser um Estado de 2°C a 4°C mais quente e de 5% a 10% mais chuvoso. Além disso, tendem a ser cada vez mais comuns as ondas de calor e a proliferação de doenças infecciosas – tal como o exemplo recente do vírus H1N1, causador da gripe A.

Por trás desse cenário sombrio, segundo a coordenadora do projeto, Maria Elisa dos Santos Rosa, estão diferentes causas. Entre elas, o descontrole na emissão de poluentes – principalmente por parte da frota de veículos, que cresce a cada ano e é reconhecida como uma das maiores fontes de monóxido de carbono, o grande vilão do efeito estufa.

Projeto ajudará a definir ações de políticas públicas

Para saber como anda o ar que respiramos, Maria Elisa afirma que as estações de medição da Fepam passaram por uma auditoria completa e que, no decorrer do projeto, serão milimetricamente calibradas.

– Queremos que essa rede de monitoramento se torne uma ferramenta de credibilidade para que possamos avaliar com exatidão a extensão dos problemas e pensar soluções concretas – diz a coordenadora.

O objetivo final do projeto, conforme Maria Elisa, é a elaboração de políticas públicas amplas, capazes de mudar o destino do Rio Grande do Sul. Para isso, o apoio francês é considerado fundamental. Mas não só ele: os técnicos da Fepam esperam contar com mais de 10 milhões de aliados.

Na tarde de hoje, os detalhes da proposta e os resultados de sua primeira fase serão apresentados em um seminário aberto ao público, no auditório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, na Capital. A entrada é gratuita, e qualquer pessoa pode participar.

Serviço
- O que: Seminário PACE – Plano Ar, Clima e Energia do RS – resultados da primeira fase
- Onde: no auditório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, na Rua Carlos Chagas, 55, 11º andar, em Porto Alegre
- Quanto: a participação é gratuita
SAIBA MAIS
- O Plano Ar, Clima e Energia (PACE) resulta de uma parceria entre a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e o governo francês
- Começou em março de 2010 e segue até junho de 2011
- Tem por meta principal a elaboração de estratégias integradas para a redução da emissão de gases de efeito estufa no Estado, com o foco na Região Metropolitana e nas zonas industriais de Caxias do Sul e de Rio Grande
 
 
 
 
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