52 Histórias Que Não Acabaram: Paris no coração, 18 anos depois

Na primavera de 1992, 13 alunos de uma escola pública de Porto Alegre se deliciaram na capital da França, em companhia da educadora Esther Grossi. Agora eles se reencontram para lembrar como a viagem iluminou suas vidas

Por: Nilson Mariano*
18/12/2010 - 04h11min
52 Histórias Que Não Acabaram: Paris no coração, 18 anos depois Mauro Vieira/
No dia 10 de dezembro, a convite de ZH, Esther Grossi reencontrou os estudantes que viajaram com ela para a França Foto: Mauro Vieira  
Basta mencionar Paris para que os olhos brilhem, o sorriso desabroche, uma sinfonia de suspiros se prolongue no ar. Passados 18 anos, uma turma de alunos da Vila Cruzeiro do Sul, de Porto Alegre, guarda como tesouro as lembranças da viagem. A partir de então, não foram mais os mesmos. Algo de mágico se incrustou em suas vidas.

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Os 13 estudantes da Escola Municipal Martim Aranha brindados com a excursão à capital da França hoje estão com idades entre 28 e 33 anos. Oito deles são casados e têm filhos. Três chegaram à universidade. Nenhum sucumbiu aos tentáculos das drogas. Nenhum se desviou para os subterrâneos do crime. Estão todos bem — e com histórias para contar aos netos.

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quem é quem entre os alunos



1 Elisa, a mãe coruja

Elisa Vargas Severo, 31 anos, dedica-se à família. Dona de casa em tempo integral, cozinha e prepara pães e bolos. O que o marido e os quatro filhos mais apreciam é a lasanha de frango, com variações de presunto e queijo. Moradora do Alto Teresópolis, acompanha o filho Jonathan William, 14 anos, que deseja ser jogador de futebol. Ana Elisa, 12 anos, dança balé. João Gabriel, cinco anos, já gosta de escrever. E o caçula, Moisés Miguel, sete meses, prefere tomar a mamadeira com o leite frio.

2 Alexsandro, o amigo dos vovôs

Recuperar velhinhos abatidos por doenças ou tristezas é a missão de Alexsandro Chrisóstomo Queiroz, 32 anos. Casado, sem filhos, morador da Cruzeiro do Sul, Alex, como é chamado, trabalha numa clínica geriátrica de Porto Alegre. Nos momentos de folga, realiza um programa social para 45 jovens, na paróquia Santa Teresa, com a ajuda da mulher, a pedagoga Lena. A intenção é afastar os adolescentes das drogas e da criminalidade. Alex deseja cursar Fisioterapia ano que vem.

3 Fernanda, a técnica em enfermagem

Casada com o professor de caratê Cristian, Fernanda Lorenzi, 32 anos, experimenta as agradáveis mudanças que a maternidade proporciona. Há dois meses e meio, nasceu Samuel. De licença-maternidade, a técnica em enfermagem repensa a profissão. Além de sair da área clínica, indo para a hospitalar, estuda para o concurso de agente do Programa Saúde da Família (PSF). Ela mora no Alto Teresópolis.

4 Leandro, o paladino contra o crack

O conselheiro tutelar Leandro Barbosa da Silva, 33 anos, empenha-se para que adolescentes dos bairros Cruzeiro, Glória e Cristal não sejam devorados pelo crack. Desde 2008 na função, ele já viu jovens morrerem antes dos 18 anos. Depois do plantão no Conselho Tutelar da Microrregião 5, Leandro e a mulher, Aline, fazem um trabalho voluntário, oferecendo alternativas contra as drogas. Pai de dois filhos, Leandro cursa Serviço Social.

5 Amanda, a gerente de site

A partir de Paris, a vida de Amanda Terres de Souza, 28 anos, passou a ser regida pela inquietação. É a única a ter retornado à Europa, em 2008, mas não para a França. Em 2010, deu uma virada profissional após atuar seis anos em auditoria externa e interna de empresas. Prestes a se formar em Ciências Contábeis, largou o curso e hoje gerencia um site de agenciamento de músicos para casamentos e festas.

6 Elisete, a vendedora

Enxoval para bebês. Conjuntinhos completos para meninas. Calções e camisetas da moda para os guris. Elisete da Rosa Ferreira, 33 anos, moradora do Alto Teresópolis, é vendedora de roupas infantil e juvenil numa loja de Porto Alegre. Em dezembro, com o aumento da freguesia, ela quase não encontra tempo para conviver com os filhos, Rychard, 11 anos, e Evelyn, dois anos, que ficam com os avós.

7 Eliane, com o diploma na mão

Apenas três provas separam Eliane Martini, 31 anos, da formatura em Ciências Contábeis. Envolvida com cinco disciplinas do curso noturno para poder se formar neste semestre, ela deixou os preparativos para a celebração da conquista em um restaurante da Zona Norte a cargo das três colegas com quem dividirá os festejos. Trainee de controladoria no shopping em que trabalha há dois anos, na Capital, pretende descansar um pouco antes de começar uma pós-graduação na área financeira.

8 Cristiano Vieira, o caminhoneiro

Todos os sábados pela manhã, uma carreta carregada de matéria-prima para a fabricação de plástico deixa Gravataí rumo a São Paulo. Na boleia, está Cristiano Souza Vieira, 31 anos. Após descarregar na capital paulista, volta para o Estado transportando garrafas de cerveja ou gesso. Na quarta-feira, desfruta o aconchego da casa, com a mulher, Marli, e o filho, Rafael, nove anos. Cristiano parou de estudar na 6ª série, quando o pai morreu.

9 Marcelo, o perito dos arrozeiros

Há duas semanas, Marcelo Matos de Souza e a mulher, Gabriela – grávida de três meses –, mudaram-se para uma casa recém-construída em Gravataí. Estão eufóricos com a chegada do primeiro filho. Técnico em administração, 30 anos, Marcelo desempenha-se como consultor de uma empresa de máquinas agrícolas. Viaja muito, especialmente nos meses da plantação e da colheita do arroz, para orientar produtores sobre graneleiros e niveladoras.

10 Alexsandro, o mercador de iguarias

Clientes ficam com água na boca quando se postam diante de Alexsandro Rondon dos Santos, 30 anos, vendedor de uma banca de importados no Mercado Público da Capital. Pai dos gêmeos Pedro e Lauren, nove anos, ele oferece gostosuras do mundo. Vai presunto parma ou espanhol? Talvez um queijo fino ou geleia da Dinamarca? Azeite árabe para o bacalhau? Um figo turco de sobremesa? Morador do bairro Agronomia, vende mais frutas secas, nozes e castanhas nas festas de Natal.

11 Lourdes, entre pimentas e molhos

Picar cebola até que não é o mais penoso para a auxiliar de cozinha Lourdes Inacio Chavaré, 31 anos. O pior, mesmo, por causar ardência nos olhos e nas mãos, é fatiar pimenta em tiririnhas para 500, 600 almoços. Sem luvas, então, a tarefa torna-se quase impraticável. Já uma das lides culinárias mais prazerosas é preparar o molho de cachorro-quente. Atualmente, Lourdes está desempregada. Moradora do bairro Santa Teresa, ocupa-se com a filha Ritielle, 13 anos, que dança balé.

12 Cristiano Goulart, o auxiliar de hidráulica

Das escolhas que fez na vida, Cristiano Alves Goulart se arrepende de uma: ter largado o Ensino Médio para trabalhar. Aos 30 anos, depois de ser office-boy e servente, trabalha em uma empresa de Esteio como auxiliar de hidráulica, prestando serviços para construtoras na Grande Porto Alegre. Casado com Rosângela, pai de Brayan (seis anos), Kailane (quatro), Derick (um ano) e Antony (quatro meses), divide-se entre a casa e o emprego. Mora na Vila Pedreira, no bairro Cristal.

13 Ana Daniela, a babá cheia de planos

Ingressar na Faculdade de Direito é o sonho de Ana Daniela Moura Carpes, 28 anos, solteira, moradora do bairro Cristal. Enquanto não consegue uma bolsa, faz curso técnico de gestão empresarial. Atualmente desempregada, cuida de dois irmãos, de sete e oito anos.

*Colaborou Pedro Moreira

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