Balcão de cargos guia a montagem de governos

Turbinada pelo lulismo, a velha prática de trocar apoio político por cargos e benesses se mostra mais viva do que nunca

Por: Luiz Antônio Araujo e Vivian Eichler
04/12/2010 - 22h02min
Fisiologismo para uns, pragmatismo para outros, a prática de trocar cargos e favores por apoio político é tão antiga como o Brasil. Esse fenômeno se torna ainda mais intenso em períodos de transição de um governo em final de mandato para outro, recém-eleito.

Cálculos aproximados indicam que, se quisesse atender a todas as demandas por espaço no ministério, a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), teria de acrescentar duas dezenas de pastas às 37 existentes. Prestes a assumir o Piratini, o governador eleito Tarso Genro (PT) atraiu PDT e PTB para a base parlamentar numa negociação em que seis vagas de secretário tiveram um peso preponderante. Cenas parecidas se desenrolam nos outros 25 Estados e no Distrito Federal.

Muitos dos que se acostumaram a enxergar o PT como crítico desse comportamento surpreenderam-se ao ver Luiz Inácio Lula da Silva tornar-se mestre nesse tipo de manobra ao chegar à Presidência. Alguns de seus simpatizantes passaram a ver no toma lá dá cá uma virtude: a do amadurecimento. A prática foi até mesmo rebatizada. Hoje, a moda é falar em coalizão, acrescida de adjetivos como “ampla”, “pragmática” e similares ao gosto do freguês. 

— Não se trata de cargos como moeda de troca, mas de espaços para governar — sustenta o sociólogo e professor aposentado da Universidade de São Paulo Emir Sader, para quem a negociação de cargos é uma forma de fortalecer a democracia.

Engana-se, porém, quem pensa que o jogo se iniciou com Lula. A fartura de empregos para apadrinhados mantém fértil o terreno para vícios que perseguem o poder público desde o Império e foram dissecados por gerações de historiadores, sociólogos e antropólogos.

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