Parlamentares gaúchos justificam posicionamento na votação que reajustou salários

Maioria dos representantes do Estado considera justo o aumento de 61,83%

17/12/2010 - 04h00min

Seguindo o retrato das votações na Câmara e no Senado, a maioria dos parlamentares federais gaúchos é favorável ao aumento de 61,83% nos próprios salários. Conforme levantamento feito por ZH, dos 31 deputados federais e três senadores, pelo menos 18 são favoráveis ao salário de R$ 26.723,13 – mesmo vencimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

>> Para seu filho ler: o salário de deputado e senador

No total, nove parlamentares se declararam contrários ao aumento. A petista Emília Fernandes (PT) se absteve, Henrique Fontana (PT) não quis revelar sua posição e outros cinco deputados não foram localizados pela reportagem de ZH.


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Veja o que pensam os parlamentares gaúchos sobre o aumento:


SENADORES

Pedro Simon (PMDB)
— Mandato termina em 2014
"Votei a favor do reajuste porque quero que seja extinta a verba de representação. Entrei hoje (ontem) com projeto extinguindo a verba de representação."


Paulo Paim (PT)
— Reeleito
"Como foi aprovado, sou contrário. Nem sabia da votação. Sempre fui favorável a um entendimento definitivo sobre o tema para a retirada dos penduricalhos."


Sérgio Zambiasi (PTB)
— Não se candidatou
"Nem sabia que estava na pauta, não foi anunciado. Foi precipitado, votado às pressas, sem chance de discutir. Poderiam ter deixado para a próxima legislatura."


DEPUTADOS FEDERAIS


Afonso Hamm (PP)
— Reeleito
"Não votei, mas sou favorável. Só lamento que não fizemos as outras votações necessárias. A mesma agilidade deveríamos ter para o reajuste dos policiais."


Beto Albuquerque (PSB)
— Reeleito
"Não votei, mas me posicionaria contra se estivesse lá. Se tivesse só correção da inflação, seria justo. Um aumento neste tamanho não tem razoabilidade."


Claudio Diaz (PSDB)
— Não se reelegeu
"Sou favorável. Entendo que o deputado que exerce o seu papel com o devido respeito e o devido rigor merece um salário equivalente ao maior existente no país."


Darcísio Perondi (PMDB)
— Reeleito
"Votei a favor porque não sou hipócrita. Aqueles que votaram contra vão receber. Internamente, eu defendi 20% de aumento e perdi."


Eliseu Padilha (PMDB)
— Não se reelegeu
"Teria votado a favor. Não acho que foi de mais, nem de menos. O que eles fizeram? Equiparação com o Supremo. Então acho que está dentro do padrão."


Emilia Fernandes (PT)
— Não se reelegeu
"Votei pela abstenção. Como não fui reeleita, acho que tem que decidir são os parlamentares que estão entrando, que têm uma consciência formada, se é importante."


Enio Bacci (PDT)
— Reeleito
"Não votei, mas sou contrário. A questão de aumento salarial de parlamentar tem de ser precedida de uma ampla discussão com a sociedade."


Fernando Marroni (PT)
— 1º suplente
"Votei a favor. Primeiro, tem uma regra constitucional da equiparação. Segundo, porque estava muito defasado o salário dos deputados e do Executivo também."


Germano Bonow (DEM)
— Não se candidatou
"Sou favorável. Se há algum equívoco, não está aí. Estaria na verba de representação que poderia ser reduzida proporcionalmente ao que foi aumentado."


Henrique Fontana (PT)
— Reeleito
"Não estava no plenário no momento da votação, mas sempre defendi o reajuste de acordo com a inflação. Isso resultaria num aumento perto de 25%."


Ibsen Pinheiro (PMDB)
— Não se candidatou
"Não votei, mas sou favorável. Foi uma reposição de uma igualdade constitucional. Fico muito à vontade porque estou falando de algo que não me afeta pessoalmente."


José Otávio Germano (PP)
— Reeleito
"A favor. Foi a única proposta submetida ao plenário para reajuste. Acho justo que todos os poderes ganhem a mesma coisa."


Luciana Genro (PSOL)
— Não se reelegeu
"Sempre votei contra os reajustes de salário de parlamentares. Considero que os reajustes são desproporcionais aos concedidos ao salário mínimo."


Luis Carlos Heinze (PP)
— Reeleito
"Para reduzir os juros, temos de cortar as despesas. Por isso, sou contra ao aumento de salários na proporção que foi dada."


Manuela D'Ávila (PC do B)
— Reeleita
"Eu teria votado contra se estivesse aqui (estava em viagem à África). Temos pautas mais importantes para votar como o aumento do salário mínimo."


Marco Maia (PT)
— Reeleito
"Com isso, resolvemos uma polêmica que há anos vem sendo discutida e debatida na Câmara que é a equiparação do salários dos poderes."


Maria do Rosário (PT)
— Reeleita
"Não votei. Ainda que os valores sejam altos, há um aspecto positivo: não existe mais reajustes a partir de agora. Os deputados não reajustarão mais os seus próprios salários."


Mendes Ribeiro (PMDB)
— Reeleito
"Votei favoravelmente à proposição que aumenta de legislatura para outra os salários dos parlamentares. De quatro em quatro anos, aumenta-se os salários dos parlamentares."


Nelson Proença (PPS)
— Não se reelegeu
"Não votei. Os deputados, como juízes e ministros, têm de ganhar bem. Tem de acabar com a hipocrisia. Sou a favor que se ganhe bem e acabe com os penduricalhos."


Pepe Vargas (PT)
— Reeleito
"Eu não votei, mas a minha posição era de que tinha de ter aumento pela inflação. A forma como foi aprovado ontem foi um equívoco."


Pompeo de Mattos (PDT)
— Não se candidatou à Câmara
"Sou a favor. Acho que mais cedo ou mais tarde essa equalização tinha de acontecer. O aumento não precisaria ter sido tão alto para os casos de deputado e senador."


Ruy Pauletti (PSDB)
— Não se reelegeu
"Não votei, mas, se estivesse presente, teria votado contra. Não é possível que o salário mínimo tenha um aumento de 5% enquanto parlamentares recebem um reajuste de 60%."


Renato Molling (PP)
— Reeleito
"Nós deveríamos ter aumento, mas foi exagerado. Eu não estava no plenário na hora da votação, mas, se estivesse, entre votar e não votar, teria votado a favor."


Sérgio Moraes (PTB)
— Reeleito
Votei a favor porque é um salário justo. É uma demagogia barata: o sujeito que votou contra agora discursa, mas ele vai botar o dinheiro no bolso. Pergunta se ele vai devolver o salário.


Vieira da Cunha (PDT)
— Reeleito
"Votei a favor. O projeto nivelou a remuneração. Havia uma disparidade. Há muitos anos os parlamentares não recebiam reajuste."


Vilson Covatti (PP)
— Reeleito
"Sou favorável. Alguém teria de assumir esse desgaste e foi neste momento. Tem de haver isonomia entre os poderes, senão o poder fica humilhado."


* Os deputados Osmar Terra (PMDB), Onyx Lorenzoni (DEM), Paulo Pimenta (PT), Paulo Roberto Pereira (PTB) e Luiz Carlos Busato (PTB) não foram localizados por Zero Hora.

>> Leia a matéria completa na Zero Hora desta sexta-feira

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