“Religião não define caráter”, diz campanha de ateus

"Nosso objetivo é a transformação da sociedade", afirma presidente da Atea

18/12/2010 | 18h54

São quatro as peças em defesa do ateísmo que seriam veiculadas nos ônibus de Porto Alegre e foram vetadas pela Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP). Todas elas expressam algum aspecto do pensamento ateu e exigem o fim do preconceito contra quem não é religioso.

Um dos anúncios afirma que “religião não define caráter” e dá como exemplo Charles Chaplin (ateu) e Adolf Hitler (crente). Outro exibe divindades de diferentes crenças e conclui: “Somos todos ateus com os deuses dos outros”. As duas peças restantes geraram mais críticas. Uma delas exibe a foto de um avião se dirigindo a uma das torres do World Trade Center, enquanto a outra já está em chamas, e é acompanhada dos dizeres “se deus existe, tudo é permitido”. O último afirma que a fé não dá respostas, só impede perguntas.

– Recebemos críticas segundo as quais algumas peças não seriam adequadas para combater o preconceito, mas entendo que elas são bastante adequadas. Não estamos criticando pessoas, mas ideias. Respeitamos profundamente os religiosos, mas as ideias deles não estão acima da crítica – defende Daniel Sottomaior.

A Atea preparou os anúncios, financiados pelas contribuições dos sócios, sob a inspiração de campanhas similares realizadas em diversas partes do mundo desde 2008, quando apareceram na Inglaterra ônibus com a lateral ornada pelo slogan “Deus provavelmente não existe. Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida”.

– Nosso objetivo é a transformação da sociedade. Acreditamos que dar visibilidade aos ateus diminui o preconceito – afirma o presidente da Atea.

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