Federação Árabe Palestina do Brasil faz manifesto no centro de Porto Alegre

"É quase uma comemoração para demonstrar nosso apoio à ANP", disse presidente da entidade

23/09/2011 - 11h36min | Atualizada em 23/09/2011 - 19h48min
Federação Árabe Palestina do Brasil faz manifesto no centro de Porto Alegre Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Manifesto foi apoio à solicitação de Mahmoud Abbas para reconhecimento do Estado Palestino Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS  

A Federação Árabe Palestina do Brasil fez manifesto na manhã desta sexta-feira no centro de Porto Alegre. O movimento é para marcar o dia histórico em que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu à ONU o reconhecimento do Estado Palestino.

Segundo o presidente da federação, Elayyan Aladdin, o ato em Porto Alegre é quase "uma comemoração" para demonstrar apoio à solicitação da ANP.

— Temos uma boa concentração, com bandeiras e faixas, reunindo integrantes da comunidade palestina, e é quase uma comemoração para demonstrar o nosso apoio à ANP (Autoridade Nacional Palestina) — disse Aladdin.

O ato em Porto Alegre teve apoio de mais de 50 entidades e partidos políticos, segundo estimativa da Federação Árabe Palestina do Brasil.

 
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Dia histórico para os palestinos:

Em Ramallah, na Cisjordânia, foram colocados telões para população acompanhar o discurso de Abbas. Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental — territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.

Uma cadeira gigante foi montada, para simbolizar o assento pedido por Abbas na ONU, para que o Estado Palestino se torne o membro número 194 da organização internacional. 

A Campanha "Palestina 194" foi iniciada há vários meses e atinge seu auge nesta sexta, com pedido formal do presidente palestino. A Autoridade Nacional Palestina mobilizou centenas de milhares de pessoas em manifestações de apoio a Abbas, nas principais cidades da Cisjordânia.

Para muitos palestinos, esta sexta-feira é um dia histórico já que, 44 anos após a guerra de 1967 e 63 anos após a fundação do Estado de Israel, um presidente palestino se dirigiu aos 193 países membros da ONU para pedir o reconhecimento da Palestina.

Divisão de lideranças:

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, proibiu a manifestações em favor da iniciativa palestina no território. O grupo já declarou que é contra o pedido de reconhecimento pois, segundo ele, um Estado Palestino nas fronteiras pré-1967 significaria aceitar implicitamente o Estado de Israel na área estabelecida em 1948.

Apesar de pedidos por parte do Fatah, partido de Abbas, o Hamas não permite que a parte da população da Faixa de Gaza que apoia a iniciativa se manifeste nas ruas. De acordo com a pesquisa de opinião realizada pelo instituto Halil Shkaki, 83% dos palestinos apóiam o pedido de reconhecimento na ONU, o que significa que entre os habitantes da Faixa de Gaza grande parte é a favor de um Estado Palestino nas fronteiras de 1967, apesar da oposição do Hamas.

As autoridades israelenses decretaram estado de alerta no país inteiro e nos territórios ocupados, principalmente na área de Jerusalém e nos pontos de checagem militares nas passagens entre Israel e a Cisjordânia.

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