Amargo em Alemão

Berlim descobre cerveja artesanal de erva-mate

Alegretense mistura preferência nacional alemã com a do gaúcho e começa a conquistar paladares

10/03/2012 - 16h20min
Berlim descobre cerveja artesanal de erva-mate Bruna Amaral/Especial
De Canto, com a mulher, a indiana Krithika, fez experimentos vendendo o produto a amigos pela internet até chegar à cor e ao sabor ideais Foto: Bruna Amaral / Especial  

Garrafas de Club Mate tomaram conta da Alemanha nos últimos anos. No metrô, nas universidades, nas boates ou nas ruas, os recipientes (de vidro!) da bebida que contêm extrato de mate e, por isso, altos níveis de cafeína, estão nas mãos e nas mochilas dos jovens.

Que em diversas partes do mundo o chá feito da planta base de uma das bebidas mais amadas dos gaúchos, não é novidade nenhuma, mas em Berlim a "febre do mate"chegou a um ponto que nem os alemães, criadores da Reinheitsgebot, ou Lei da Pureza da Cerveja em português, poderiam imaginar. Fabrício do Canto, 42 anos, um alegretense morador da capital alemã misturou as duas coisas e está fazendo um inesperado sucesso.

Foi em uma conferência de hackers e aficionados por computador no fim de 2011 que o o ex-executivo de marketing formado pela UFSM teve a ideia de misturar cerveja com mate.

— Nesse tipo de evento todo mundo precisa ficar muito tempo acordado. Pra se ter uma noção, nele, foram bebidos 6 mil litros de Club Mate e só 500 de cerveja — conta.

Fora do Brasil desde os anos 1990 e em Berlim desde 2009, Do Canto afirma que sempre levou o chimarrão para onde quer que fosse. No bairro de Prenzlauerberg, ele inclusive fundou a empresa Meta Mate, que importa a planta colhida e a erva produzida por um amigo em São Martinho, no Rio Grande do Sul. Com o que chega do Estado, ele faz chocolate, sabonete e outros produtos, além de vender todos os apetrechos, inclusive erva, para um bom chimarrão. Apesar do interesse dos berlinenses pelo mate, foi só ao misturar a planta com cerveja que o projeto tomou proporções maiores.

— Agora eu tô mexendo com a preferência nacional. Então a coisa ficou séria. Todo mundo quer saber o que é a Mier — comemora.

Os primeiros 40 litros de Mier foram vendidos principalmente entre amigos e simpatizantes via internet. Segundo Do Canto, quem bebeu disse que a cerveja era muito forte e muito escura. A partir daí, a segunda leva já veio diferente: os 100 litros foram produzidos com dinheiro dado de antemão pelos compradores na rede e investimento próprio com um pouco menos mate e um código em cada garrafa para que se possa opinar como a próxima produção deve sair.

Nesta semana, todos os jornais locais e muitos nacionais estamparam alguma página com o gaúcho e sua Mier. Enquanto a entrevista para essa reportagem era feita, o celular do dono da Meta Mate tocou diversas vezes: um supermercado ligou para fechar a compra de parte dos próximos 800 litros da cerveja. O sucesso repentino o empresário atribui ao momento:

— Club Mate é a bebida da hora os jovens tomam pura durante o dia e junto com vodca nas festas. Inventei uma nova opção: misturei o que ele mais gostam com a moda — explica.

Se depender da curiosidade dos apaixonados por Mate, como doutorando em informática Alexander Oppermann, de 27 anos, que há cerca de quatro anos passou a substituir o café pelo Club Mate, o sucesso da cerveja de Do Canto só deve aumentar. O berlinense ainda não conseguiu provar — a nova produção da Mier ainda não estava disponível — mas garante que assim que estiver pronta, ele vai beber e relatar a experiência para todos os outros fãs do mate na cidade.

 
 
 
 
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