Toulouse, França

Cercado, suspeito de praticar chacina em escola judaica diz querer vingar mortes de crianças palestinas

Operação para prender homem de 24 anos está sendo realizada pela unidade de elite da polícia francesa no bairro Croix-Daurade

Atualizada em 21/03/2012 | 04h4721/03/2012 | 01h14
Cercado, suspeito de praticar chacina em escola judaica diz querer vingar mortes de crianças palestinas Remy de la Mauviniere/AP
Polícia bloqueou as ruas que margeiam a casa do suposto autor dos tiros de segunda-feira Foto: Remy de la Mauviniere / AP

Um homem armado, de 24 anos, que afirma ser da Al-Qaeda e vingador das crianças palestinas, segue cercado na manhã desta quarta-feira por homens da "Raid", a unidade de elite da polícia francesa, no bairro Croix-Daurade de Toulouse, pelo massacre na escola judaica e por outros dois crimes na região, informaram as autoridades.

Por volta das 5h45min local, ocorreram seis disparos em torno na casa onde o jovem de origem magrebina está cercado, comprovou a AFP. O ministro do Interior, Claude Guéan, que acompanha pessoalmente a operação, disse que a mãe do jovem "foi levada ao local para conversar com o filho, mas desistiu" de convencê-lo a se entregar. O irmão do jovem foi detido pela polícia, revelou Guéant.

— Todos sabem que nos locais dos crimes havia apenas um suspeito, mas seu irmão está preso, porque as investigações revelaram provas sistemáticas — disse Guéan.

Segundo Guéan, o homem cercado pela polícia "tem vínculos com salafistas e jihadistas e viajou ao Paquistão e ao Afeganistão".

— Ele afirma pertencer à Al-Qaeda e que quer vingar as crianças palestinas e castigar o Exército francês.

O irmão e a irmã do jovem participavam do mesmo movimento, mas são menos violentos e não viajaram à fronteira entre Paquistão e Afeganistão. A polícia "está certa de que ele é o autor do massacre: um jovem de 24 anos conhecido pelos serviços de informação franceses, que comprovaram seu envolvimento na série de assassinatos (...) em Toulouse", destacou o ministro.


Ministro do Interior acompanha a ação da polícia em Toulouse
Foto: JEAN-PIERRE MULLER/AFP


Na operação desta quarta-feira, três policiais ficaram feridos sem gravidade, um no joelho, outro no ombro e um terceiro atingido por disparo contra o colete a prova de balas. O suspeito "faz parte deste pessoal que volta das zonas de combate e que sempre é fonte de preocupação para os serviços" de inteligência, revelou uma fonte ligada à investigação.

Os serviços de informação ocidentais estavam em alerta sobre uma dezena de jovens procedentes das zonas conflitivas da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, incluindo alguns que seguiram para a França. O jovem era investigado pela DCRI (Direção Central de Informação Interna), junto a outros, desde os primeiros ataques, em Toulouse e Montauban.

No dia 11 de março, um homem matou um soldado de origem magrebina em Toulouse, No dia 15, atirou em três soldados do regimento de paraquedistas na cidade vizinha de Montauban — dois de origem magrebina e o terceiro de origem caribenha — matando dois e ferindo um gravemente.

Agentes da polícia com coletes a prova de bala ocupavam as ruas do exclusivo bairro de Croix-Daurade, próximo à escola judaica onde ocorreu o massacre de três crianças e um adulto, na segunda-feira passada.

As autoridades francesas deflagraram na terça-feira uma corrida contra o relógio para deter o assassino, a partir de informações preliminares obtidas através de vídeos de vigilância, testemunhos de sobreviventes e de contatos entre o assassino e sua primeira vítima, de 11 de março.

Os investigadores foram capazes de reconstituir parte do percurso do assassino desde o dia 6 de março, quando roubou a scooter que foi utilizada até o último ataque, na segunda-feira. No período de 14 dias, o homem agiu a cada quatro dias e a cada vez utilizou uma scooter e duas armas calibre 9mm e 11.43, além de um capacete para evitar ser reconhecido.

A cada assassinato, o criminoso disparou na cabeça "à queima roupa", destacou o promotor de Paris Francois Molins, responsável por esta investigação de terrorismo classificado.

Bomba explode junto à embaixada da Indonésia em Paris

Uma bomba artesanal explodiu na manhã desta quarta-feira nas imediações da embaixada da Indonésia em Paris, sem causar feridos, informaram fontes concordantes.

Segundo os primeiros elementos da investigação, várias testemunhas viram três homens deixar um pacote próximo ao prédio da embaixada, situado no distrito 16 da capital francesa.

Uma pessoa descobriu a bolsa suspeita diante da embaixada, verificou que era uma bomba artesanal e a removeu para outro local, antes de fugir, disse uma fonte ligada à investigação. A bomba explodiu minutos depois, às 5h45min local "e sua onda expansiva foi sentida em um raio de 50 metros", destacou a fonte.

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