Ordem na casa

Novas regras para utilização do Cete geram polêmica em Porto Alegre

Usuários terão de receber orientação profissional e fazer inscrição para se exercitarem no Centro Estadual de Treinamento Esportivo

02/04/2012 - 09h43min
Novas regras para utilização do Cete geram polêmica em Porto Alegre Arivaldo Chaves/Agencia RBS
Uma das preocupações da direção do centro esportivo é evitar atividades sem avaliação dos professores Foto: Arivaldo Chaves / Agencia RBS  
O Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete) resolveu fazer jus ao nome. A partir desta segunda-feira, o espaço, no bairro Menino Deus, na Capital, deixará de ser o que na prática é considerado um parque esportivo. Passará a ser uma área de atividades físicas sob orientação de especialistas e com a exigência de inscrição dos usuários.

As medidas já estão gerando polêmica entre frequentadores críticos à determinação, segundo a qual os personal trainers também terão de ser acompanhados por professores do próprio Cete.

— Se você quiser ir lá caminhar, correr, fazer qualquer atividade, haverá um professor à disposição. A gente pede que todos se cadastrem — explicou Renita Dametto, diretora-presidente da Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs), responsável pelo local.

MURAL: você acredita que as novas regras do Cete que exigem a orientação de um profissional vinculado ao centro são válidas ou podem afastar os usuários?

O objetivo das autoridades é impor um controle maior sobre o local, motivado por duas preocupações: que as pessoas façam seus exercícios com orientação profissional e que esses orientadores tenham vínculo com o centro, porque teme-se até uma hipotética ação na Justiça do Trabalho por parte de algum personal trainer.

A ideia, de acordo com a direção do Cete, é coordenar e ordenar o espaço:

— As pessoas precisam de orientação enquanto estão caminhando. Se cai alguém duro lá dentro, quem é que responde? O Cete não é praça ou parque. Existe ali uma gestão direta do Estado. Somos responsáveis pelo que ocorre lá — pondera Renita.

Pelo menos 25 professores de Educação Física estão sendo contratados. Desses, 16 ficarão no Cete.

Presença de personal trainer em discussão

O bancário Luiz Carlos Figueiredo, morador do Menino Deus e frequentador diário do Cete, é um crítico às novas medidas e ficou contrariado ao receber um folheto que as explicava:

— Tem de haver orientação, mas perguntei: olha, eu tenho meu personal trainer. Aí, me disseram que ele não poderá entrar. Meu profissional é formado. Por que não pode entrar ali para me orientar? Qualquer academia deixa eu ter atendimento personalizado — reclama.

Figueiredo aposta que as medidas vão gerar protestos. A direção do Cete informou que desconhecia a distribuição do folheto.

 

ENTREVISTA com Renita Dametto, diretora-presidente da Fundergs:

Zero Hora — O que exatamente está sendo feito no Cete?

Renita Dametto —
A gente faz uma retomada. O Cete era uma área que estava até sendo licitada para terceiros gerenciarem. Entendemos que é um espaço público e que o Estado tem de oferecer esse espaço, porque existe uma carência nesse sentido, de um centro de treinamento esportivo no Rio Grande do Sul.

ZH — Como é feita essa retomada do espaço?

Renita
— Colocamos professores para trabalharem com crianças de cinco a 18 anos. Para quem quer fazer caminhadas, também estamos colocando à disposição professores. Haverá três professores no horário de pico. As pessoas que quiserem utilizar aquele espaço precisam se inscrever, de forma gratuita, para uma caminhada orientada ou uma corrida. Enfim, a atividade que quiserem fazer.

ZH — Como era?

Renita —
Era como um parque.

ZH — O que já foi feito?

Renita —
Procuramos conservar o Cete, trouxemos equipes de limpeza, de vigilância, mandamos um projeto para a Assembleia, e conseguimos a contratação emergencial de professores e a liberação para abertura de um concurso. Então, haverá professores nas diversas modalidades esportivas à disposição.

ZH — Como era e como vai ser o uso do espaço a partir de hoje?

Renita —
As pessoas entravam autonomamente, como se aquilo ali fosse um parque. Iam lá, caminhavam e iam embora. Havia um professor e um estagiário cuidando do Cete. Todo mundo entrava, os personal trainers chegavam lá, abriam uma barraca, estacionavam o carro, tiravam os isotônicos. A partir de agora, as pessoas vão se inscrever gratuitamente e informar: "olha, o horário que vou frequentar é entre 18h e 20h". Diremos: "ok, a senhora vai caminhar e haverá pessoas aqui lhe orientando". Ela vai preencher uma ficha e passará por avaliações físicas. Depois disso, passará a ser acompanhada por um professor.

ZH — E se alguém chegar com um personal trainer?

Renita —
Não sou contra, eles têm de continuar com a atividade deles. Porém, terão de se adequar às novas normas, que exigem inscrição e acompanhamento dos professores do Cete. Vai ocorrer uma sobreposição de tarefas. Eles não podem entrar na Sogipa porque o cliente é sócio. Aqui, temos de ver tudo legalmente e dentro da nossa proposta pedagógica. Não estamos proibindo, é um regramento.

ZH — A direção vai cercar a área do Cete?

Renita —
Sim, já fizemos licitação para isso. O processo está há oito meses andando. Deve estar estourando por aí.
 
 
 
 
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