Trabalho e Superação

O trabalho que transforma vidas: ex-Febem é hoje administradora

Conheça histórias de pessoas que se inspiram nas dificuldades para vencer na profissão

28/04/2012 | 16h18
O trabalho que transforma vidas: ex-Febem é hoje administradora Tadeu Vilani/Agencia RBS
Inajara visitou a Fase na semana passada: ela morou três anos na Febem Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Retornar à Fase 26 anos depois e com o diploma de Administradora de Empresas revirou sentimentos adormecidos em Inajara Patrícia Campos Gatto. Nesta semana, aos 41 anos, a ex-interna da antiga Febem esteve por lá de carro e vida feita, ingredientes de quem ignorou adversidades. A cada palavra de incentivo, recebia um olhar de encanto. Orgulhosa de ter batalhado pelo sustento, dizia para as meninas:

— Estive aqui. Saí, batalhei, me cerquei de pessoas boas e venci. Qualquer um pode.

A sinfonia das palavras proferidas por Inajara instigam o ouvinte a imaginar um conto de fadas. Para ela, que sofreu, a narração é dramática. A derrocada começou aos quatro anos, quando perdeu a mãe. Morou com a avó, em São Gabriel, até os oito, quando voltou à Capital para morar com o pai e a madrasta. Aos 11 anos, abandonada pela família, e acolhida pela antiga Febem, hoje Fase. Interrompeu os estudos na quarta série.

Viveu na instituição de 1983 a 1986. Amante dos livros e do conhecimento, da janela gradeada do quartinho de quatro metros quadrados, a criança de cabelos negros e riso fácil planejava o futuro. Gastava horas lendo e acumulando pilhas de revistas Seleções, sonhando em ser professora, como a avó.

O jeito singular fez com que a diretora da Febem à época a ajudasse. Mandou-a para um internato em Taquara. Depois, vendeu livros, lavou pratos, carros. Fez tudo em troca de estudo e um lugar para morar.

— Nunca neguei oportunidade. Faculdade era utopia. Sentia vergonha de dizer que não tinha o segundo grau (Ensino Médio) — conta.

Matriculou-se em um curso pré-vestibular aos 26 anos. Não conseguiu frequentar. Confessou a falta de estudo. Solucionou o impasse se oferecendo para trabalhar na instituição em troca do supletivo e de um curso técnico. Fez isso por quase dois anos. Almejou o Direito, mas, na hora da prova, deu um branco. Não conseguiu terminar a redação. Saiu arrasada.

— Tenho pavor do fracasso. Desde a infância prometi para mim que seria alguém — diz Inajara.

No ano seguinte, ingressou em Administração de Empresas, na Ulbra, em Guaíba. Conseguiu um bom estágio na extinta fundação CRT. Concluiu o curso em 2005 com nota 10 no trabalho de conclusão, cujo mote era a logística dos vendedores ambulantes.

Foi o trabalho que a resgatou. Mesmo com a vida estabilizada, não pretende parar. Presta consultoria em administração, começou um curso de pós-graduação em 2007. É casada há oito anos. Tem dois filhos do primeiro casamento: um rapaz de 20 e outro de 18 anos. Com o marido atual, tem mais dois: de seis e quatro anos.

Inajara passa os finais de semana no Interior, em seu refúgio. Lá, se permite ter a infância que lhe foi negada:

— Fico com as crianças, corro, brinco.

Ainda mira o futuro, da janela do seu apartamento. Sonha aprender inglês e ser professora universitária. Alguém duvida?

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