Futuro sustentável

Cidade chinesa de Gansu concentra esforços em energia renovável

Intenção é suprir 15% da necessidade de energia do país até 2020, a partir de fontes alternativas

05/05/2012 | 18h02
Cidade chinesa de Gansu concentra esforços em energia renovável Peter PARKS/AFP
Capacidade de geração eólica do país tende a se multiplicar Foto: Peter PARKS / AFP

Jiuquan, China — A região noroeste de Gansu, uma remota e desértica área varrida por ventos, pode ser o menos amado e mais castigado canto da China, sob o ponto de vista ambiental. É o lar do primeiro campo de óleo no país, de diversas minas de carvão e de fabricantes de aço que contribuíram para dar notoriedade à China como o maior poluidor e emissor de dióxido de carbono do planeta.

Nos últimos anos, no entanto, a paisagem passou por uma transformação à medida que Gansu se tornou a linha de frente dos esforços do governo para reinventar a economia por meio de investimento maciço de energia renovável.

A mudança é visível logo depois de dirigir ao longo da planície de Jiuquan, antiga cidade-fortaleza que agora é sede de pelo menos 50 empresas de energia. Jiuquan tem a capacidade de gerar seis gigawatts de energia dos ventos, praticamente o equivalente de toda a Grã-Bretanha. O plano é triplicar o valor até 2015, quando a área poderá se tornar o maior parque eólico do mundo.

Conhecida por construir o equivalente a uma termelétrica de 400 megawatts movida a carvão a cada três dias, a China está levantando 36 aerogeradores por dia e construindo uma robusta rede elétrica de milhares de quilômetros para enviar a energia dos desertos do oeste ao leste.

É parte de um plano para suprir 15% da necessidade de energia do país até 2020 a partir de fontes alternativas. A maioria virá de energia hidrelétrica e nuclear, mas o governo também avalia os potenciais do vento e do sol nos desertos, nos planaltos montanhosos e na costa.

A crise ambiental é tão ruim que motiva a mudança. Se os danos fossem levados em conta, o crescimento econômico seria reduzido pela metade, estima Wang Yuquing, ex-vice-diretor do ministério da proteção ambiental. Ele projeta prejuízos de 2,5 trilhões de yuans, ou 5% a 6% do Produto Interno Bruto do país.

Os planos do governo para lidar com esses problemas incluem um ambicioso controle da poluição, áreas de reflorestamento e projetos de hidroengenharia. O foco, no entanto, é a tentativa de troca de fonte de energia, do carvão para renovável. A campanha encara obstáculos econômicos e técnicos. Carvão e gás são muito mais baratos e abundantes, e isso significa que levará muitos anos até que as emissões chinesas comecem a recuar. Mas os planejadores de Jiuquan dizem que a região é testemunha de quão rápido a mudança será.

— Reconhecemos que os suprimentos de combustível fóssil são limitados. Precisamos encontrar novas fontes de energia. Jiuquan lidera a mudança para a energia renovável na China — afirma Wu Shenxue, diretor do departamento de reforma e desenvolvimento de Jiuquan.

Resultado financeiro transforma áreas pobres

Os investimentos feitos em energia eólica e solar somam mais de 40 bilhões de yuans ao ano na região, diz, enquanto óleo e carvão, apenas 1 bilhão de yuans. A afluência de dinheiro está transformando essa região pobre. A renda média urbana, entre as menores na China, quase triplicou desde 2000 e deve ficar acima da média nacional até 2015.

Outras regiões devem ser atingidas. Tecnocratas escolheram sete áreas para imensos parques eólicos, cada um com pelo menos 10 gigawatts. As linhas de transmissão mal dão conta do recado. Há dois anos, quase um terço das turbinas não estavam conectadas. O que provocou comparações com o Grande Passo Adiante dos anos 1950, quando Mao Tsé Tung determinou a população chinesa a elevar a produção rural de aço a níveis irrealistas com desastrosas consequências.

As forças de mercados são considerações secundárias. As linhas de transmissão estatais são obrigadas a pagar 0,54 yuan por quilowatt hora em energia eólica, mesmo que consigam a mesma quantidade em energia a carvão por 0,3 yuan.

O diretor do departamento de energia de Yumen, Dong Suqin, disse que o fato de o governo controlar os preços foi bom para o desenvolvimento da energia eólica. O local era conhecido como Cidade do Petróleo, mas as pessoas estão se mudando dos antigos campos de óleo para uma nova cidade próxima ao parque eólico.

— A maioria deixou porque os negócios eram ruins — disse Suqin.

Até 2020, Jiuquan planeja aumentar a geração de energia eólica em seis vez, para 40 gigawatts. Wu projeta um crescimento até maior entre 2020 e 2030, quando a energia solar decolar:

— Será quando a tecnologia terá amadurecido e os custos de geração serão menores. Até 2030, acho que a metade da energia chinesa virá de fontes renováveis e Jiuquan será famosa no mundo.

* Tradução: Verner Uhlman

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