Barbárie

Criança de 11 anos conta como sobreviveu a massacre de Houla, na Síria

Menino fingiu-se de morto com o sangue de um dos irmãos quando homens armados invadiram sua casa e mataram toda sua família

31/05/2012 | 17h12
Criança de 11 anos conta como sobreviveu a massacre de Houla, na Síria AP/AP
Ali el-Sayed falou com agência internacional com ajuda de ativistas Foto: AP / AP

Quando integrantes de milícias invadiram sua casa e começaram a matar sua família, Ali el-Sayed, 11 anos, jogou-se ao chão. Empapou-se com o sangue de um de seus irmãos e conseguiu enganar os assassinos fazendo-se passar por morto.

O menino sírio é um sobrevivente do massacre de Houla, na sexta-feira, que causou repúdio internacional pela morte de 108 pessoas, entre elas, 49 crianças.

Ali contou por Skype à agência Associated Press que tentou não tremer, mesmo quando os assassinos, que segundo ele tinham barba e cabeças raspadas, atiraram em seus pais e em seus quatro irmãos.

O mais jovem foi Nader, seis anos. Seu cadáver foi encontrado com furos de bala na cabeça e nas costas.

- Me sujei com o sangue do meu irmão e me fiz de morto - disse ali, com voz firme.

A matança foi condenada imediatamente pelas Nações Unidas. A autoria dos crimes, segundo a oposição e a ONU, é atribuída a milícias ligadas ao regime do presidente Bashar al-Assad, os "shabiha".

Recrutados entre a comunidade alauíta - uma minoria étnica que pertence Al-Assad e que domina as principais instâncias de poder na Síria -, os milicianos têm permitido ao regime se distanciar da responsabilidade direta dos assassinatos, torturas e ataques.

Hoje, o governo sírio anunciou suas conclusões sobre as mortes de sexta-feira. Atribui os crimes a "grupos armados" insurgentes. Segundo o general Kassem Jamal Sleimane, as famílias mortas "tinham recusado a se colocar contra o Estado e não concordavam com os grupos armados".

Na terça-feira, uma autoridade da ONU havia relacionado o massacre aos milicianos pró-regime.

 
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