Sem suspeitos

Depoimento de mulher de idoso morto em Rio Pardo abre nova linha de investigação para a polícia

Suspeitas são de que assassinos de Gabriel dos Passos, 80 anos, conheciam a rotina do casal de agricultores

14/05/2012 | 17h58
Depoimento de mulher de idoso morto em Rio Pardo abre nova linha de investigação para a polícia Bruno Alencastro/Agencia RBS
O cenário do crime: Gabriel foi morto a tiros sobre a cama onde minutos antes repousava e fazia planos com a mulher Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Ainda abalada pela morte do marido, Celira Passos, 83 anos, prestou depoimento nesta segunda-feira. Emocionada com a perda do companheiro de 52 anos de casamento, Gabriel dos Passos, 80 anos, ela falou por duas horas na Delegacia de Polícia de Rio Pardo. Deu novos detalhes sobre o crime e também sobre a vida da família. A conversa com a vítima sobrevivente abriu uma nova linha de investigação para o caso.

Uma das suspeitas é de que os dois homens, que invadiram a propriedade rural em Capão do Valo, interior do município, na noite da última sexta-feira, tinham informações privilegiadas da rotina da casa onde os idosos viviam.

Essa seria a forma de os bandidos saberem que havia uma boa soma de dinheiro no local. Mais do que isso, a atuação dos assassinos, de acordo com a polícia, foi de quem sabia que na propriedade haviam apenas duas pessoas já idosas.

— Eles chegaram enfiando o pé na porta, sabiam muito bem quem vivia no local, a rotina. Existe a possibilidade de terem informações de gente que conhecia o casal, ou então de terem feito um monitoramento prévio, trabalhamos com essas duas hipóteses— afirma o delegado da DP de Rio Pardo, Anderson Faturi.

Durante todo o dia, investigadores percorreram o Vale do Rio Pardo em busca de provas. A comoção causada pelo crime brutal mobilizou a polícia, que colocou todos os agentes da DP local no caso.

Com a divulgação da morte do agricultor, os investigadores estão recebendo denúncias anônimas e analisando cada uma das informações que chegam. O receio é de que o passar do tempo torne mais difícil a identificação dos assassinos.

— Nesse tipo de situação o tempo corre contra. Deixamos alguns outros casos de lado para focarmos em desvendar esse crime— diz o delegado.

A pressa em buscar informações também se justifica por outra suspeita levantada pela investigação: a de que os assassinos sejam da região. A forma de agir dos bandidos, o conhecimento prévio da propriedade e a utilização de toucas que escondem o rosto fazem a polícia crer que a dupla viva em cidades próximas, e que possa ter continuado nas redondezas.

Nos moradores da região, a morte do agricultor aumentou a sensação de insegurança de quem vive no campo. A presença policial nas localidades situadas longe do centro das cidades será reivindicada pela população em um protesto na próxima quinta-feira, às 15 horas. Com cartazes pedindo por segurança, moradores de Capão do Valo se reunirão na capela onde o corpo da vítima foi velado.

Nesta segunda-feira o quarto onde Gabriel foi morto foi limpo, e os lençóis sujos de sangue levados da propriedade. O trabalho de perícia, e mesmo a investigação, foram realizados durante o final de semana. Dona Celira, no entanto, ainda não sabe quando voltará para casa, e por enquanto, segue hospedada na casa de uma filha.

 
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