Discurso interrompido

Dilma é vaiada na abertura da 15ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília

Representantes dos municípios cobraram declarações sobre os royalties do petróleo e causaram irritação na presidente

15/05/2012 | 14h32
Dilma é vaiada na abertura da 15ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília Wilson Dias/A Br
Dilma pediu que prefeitos olhem distribuição dos royalties "de hoje para a frente" Foto: Wilson Dias / A Br

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada ao encerrar o seu discurso, durante a cerimônia de abertura da 15ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que ocorre em um hotel de luxo em Brasília.

Ela prometeu retroescavadeiras a municípios, defendeu uma "parceria respeitosa e produtiva com Estados e municípios" e comentou o cenário de crise econômica internacional. Quando o discurso da presidente estava próximo do fim, os prefeitos começaram a cobrar uma declaração de Dilma sobre royalties. "Royalties! Royalties", gritavam.

— Vocês não vão gostar do que eu vou dizer — respondeu Dilma.

— Petróleo vocês não vão gostar. Então eu vou falar uma coisa, não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje para trás. Lutem pela distribuição de hoje para a frente — afirmou a presidente, encerrando abruptamente o discurso, demonstrando irritação.

Dilma já vinha sendo cobrada pelos prefeitos desde o início, com o discurso do presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkosky.

— Vejo o Congresso há anos debatendo a reforma política, há anos falando de reforma tributária e eu diria que precisamos fazer a bisavô das reformas, que é a reforma da Federação. Enquanto isso não for feito, vivemos um estrangulamento federativo — afirmou Ziulkosky.

Dirigindo-se à presidente, acrescentou:

— Tenho a certeza que, como dizia o presidente Lula, "quero chegar ao final do meu mandato e passar uma fita métrica", saber o que evoluiu, o que não evoluiu, o que não melhorou. Tenho certeza que na sequência a senhora também tem esse objetivo. E estamos aqui para ser parceiro, mas para ser parceiro às vezes precisamos dizer alguma coisa.

Ziulkosky também cobrou a sanção do Código Florestal, tal como aprovado na Câmara dos Deputados, e questionou a distribuição dos royalties do petróleo:

— Não existe município nem estado produtor. O que tem é confrontante. Duzentos quilômetros de extensão, o que aquele Estado fez (para ter o petróleo)? Aquilo é nosso, da União, é de todos, não é produtor coisa nenhuma — disparou.

O presidente da CNM questionou como está sendo feita política de construção de creches públicas no país, que estaria sobrecarregando as contas municipais.

— Só nós estamos gastando. Um cálculo de um custo de R$ 600 por criança, estamos colocando do orçamento do município R$ 400. Vamos colocar por ano mais de R$ 4 bilhões, como vamos fazer isso? O que existe hoje entre Estado e União é montaria, não parceria — concluiu.

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