O preço da má educação

Prefeitura de Porto Alegre gasta R$ 9 mil por dia na limpeza dos arroios da cidade

O Dep gasta R$ 3,3 milhões por ano - R$ 9 mil por dia - para retirar lixo e entulho de 27 arroios da Capital. Descarte correto reduziria valor em R$ 1 milhão

11/05/2012 | 07h15
Prefeitura de Porto Alegre gasta R$ 9 mil por dia na limpeza dos arroios da cidade  Carlos Macedo/Especial
Sujeira e lixo infelizmente fazem parte dos arroios da Capital Foto: Carlos Macedo / Especial
Sacos de lixo, móveis e resto de entulhos jogados nos arroios da Capital não causam apenas danos ao meio ambiente. A falta de educação de parte da população, que não faz o descarte correto de resíduos e de materiais sem utilidade, gera também uma despesa milionária à prefeitura.

Para limpar os 27 arroios existentes em Porto Alegre — e seus afluentes —, o Departamento de Esgotos Pluviais (Dep) gasta R$ 3,3 milhões por ano - R$ 9 mil por dia. Diretor geral do Dep, Ernesto da Cruz Teixeira, afirma que, se não fosse o lixo jogado nos cursos de água da cidade, o custo cairia para R$ 2,3 milhões (33%). O Dep precisaria fazer apenas o serviço de desassoreamento.

— De março de 2009 até hoje, foram retiradas 283 mil toneladas de entulho do Arroio Dilúvio. Deste total, 40% era lixo — revela Ernesto, sobre o maior arroio da cidade, dragado frequentemente.

Quando chove, prejuízo é maior

Em dia de temporal, o prejuízo é ainda maior. Cada vez que um arroio transborda, as ruas ficam sujas, casas são alagadas e as famílias perdem tudo, necessitando da ajuda urgente dos órgãos municipais. Ernesto lembra que muitas cidades do mundo fazem o desassoreamento de rios, lagos e arroios. Na Capital, o que encarece o serviço é o transporte das milhares de toneladas do material recolhido para a estação de transbordo do DMLU, na Lomba do Pinheiro.

Arroio Mem de Sá acumula toneladas

No mês passado, equipes do DEP retiraram cerca de 40 toneladas de lixo do Arroio Mem de Sá, um afluente que corta o Bairro Bom Jesus. Quando os funcionários voltarem lá no próximo dia 17, Ernesto acredita que terá a mesma quantidade de novo.

— Te garanto que menos de 30 toneladas não terá — lamentou.

Além do lixo atirado, motoristas de caminhões e carroceiros estariam despejando entulhos à noite no curso d'água da Bonja. ­

Compare

Com o R$ 1 milhão gastos a mais com o desperdício, o município poderia construir uma Unidade de Saúde da Família (cerca de R$ 1 milhão), com capacidade para atender a 750 famílias.

No Dilúvio, limpeza é permanente

O serviço de limpeza e desassoreamento dos arroios é feito por uma empresa contratada. No Arroio Dilúvio, é permanente. Em outros, como o Arroio Sarandi, de onde foram retiradas 24 toneladas de lixo em um mês, a sujeira é recolhida conforme a necessidade. Escavadeiras hidráulicas, dragas e até escavadeiras anfíbias são utilizadas, além de caminhões para fazer o transporte. Funcionários do Dep também atuam na limpeza e conservação.

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