Investigação no Congresso

Relator de CPI diz que há indícios fortes da relação entre o governo de Goiás e Cachoeira

Odair Cunha minimizou polêmica sobre convocação de Gurgel: "Não é necessária"

11/05/2012 | 10h14
Após duas sessões com depoimentos de delegados da Polícia Federal — ambos com portas fechadas —, o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), diz estar convencido de que há elementos "contundentes" do envolvimento do governo de Goiás, comandado por Marconi Perillo (PSDB), na organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, na manhã desta sexta-feira, Cunha minimizou a polêmica sobre uma possível convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Defendeu que há outros agentes públicos também capacitados para auxiliar na investigação aberta pelo Congresso.

O relator descartou, pelas informações obtidas até o momento, uma ramificação da quadrilha liderada por Cachoeira no Rio Grande do Sul. 

— Não há evidências de tentáculos no Rio Grande do Sul. Eles trabalhavam com a ideia de territorialização do crime. E essa ideia levava a divisão do território nacional entre operadores do jogo do bicho. Acredito que o RS não era acobertado pela organização criada pelo Cachoeira.

Confira trechos da entrevista:

Governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB)

"Há elementos contundentes de que a organização criminosa comandada pelo Cachoeira estava muito impregnada no governo do Goiás. Evidentemente, as declarações do delegado e o inquérito da Polícia Federal nos levam a aprofundar as investigações. Não é possível ainda dizer claramente se houve envolvimento direto do governador Perillo, mas há indícios muito fortes e isso deve ser investigado por nós."

Governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT)

"Havendo indícios contundentes da participação do governador, ele deve ser convidado para prestar esclarecimento na CPI. Agora fica muito evidente que há nível de envolvimento diferente da presença da organização criminosa . É muito mais forte e contundente a presença da organização criminosa no Estado de Goiás do que no Distrito Federal. Estou me propondo a investigar onde a organização criminosos tentou incursões. Há evidências de que também tentou no Paraná e no Tocantins."

Convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB)

"Não podemos produzir generalizações. A (empresa) Delta cumpria um papel na organização criminosa e nós precisamos investigar. É claro que, a partir dessa compreensão, não há indício ou suspeita que não devam ser investigadas. Sobre convocar ou não o governador Cabral, é um tema que vamos analisar mediante as certificações da conduta de cada agente público."

Depoimento do Cachoeira, na terça-feira

"Será uma sessão aberta. Essa sessão precisa dar um caminho a mais para a CPI, fornecer elementos importantes para a nossa investigação. Agora é bom ter presente que esse não o único meio de investigação. O depoimento do Cachoeira não é o único instrumento de investigação, e nós vamos usar todos os instrumentos para a nossa investigação."

Rio Grande do Sul

"Não há evidências dessa organização criminosos com tentáculos no Rio Grande do Sul. Eles trabalhavam com a ideia de territorialização do crime. E essa ideia levava a divisão do território nacional entre operadores do jogo do bicho. Acredito que o RS não era acobertado pela organização criada pelo Carlos Cachoeira."

Convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel

"Não é necessária a convocação do procurador-geral. Nós queremos desvendar de uma vez por todas e, a partir das operações Vegas e Monte Carlos, desvendar essa organização criminosa e aprofundar a investigação da PF. Agentes públicos podem nos dar informações importantes sobre essas investigações. E nós sempre vamos convidar agentes públicos de todos os estados, esferas e poderes. O procurador é uma das pessoas que pode nos ajudar na investigação."

Sessão secreta

"A regra é a sessão aberta. Fizemos duas sessões fechadas porque se tratava de matéria de segredo de Justiça. O fato de alguém ter praticado algum crime vazando informações que estão sob segredo de Justiça não significa que a CPI deva cometer o mesmo crime. Infelizmente, as pessoas não cumprem seu dever constitucional de manter o sigilo e acabam gerando situações como essa (vazamento de informações).

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