Ensino ocioso

Universidade Federal de Santa Maria tem mais de 1,6 mil vagas não preenchidas

Instituição federal de Santa Maria atribui baixa procura a fatores como abandono, reprovação e troca de cursos por alunos

03/05/2012 | 03h33
Enquanto alguns passam anos se preparando para conquistar a tão sonhada vaga no Ensino Superior, muitos estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) interrompem a jornada no meio do caminho.

O reflexo da evasão é notório no aumento do número de vagas ociosas na instituição. Do ano passado para cá, quase dobrou o número de vagas não preenchidas na UFSM: de 853, passou para 1.616.

Cursos como Tecnologia em Gestão de Turismo, da Unidade Descentralizada de Educação Superior em Silveira Martins (Udessm), chegam a ter 94 vagas sobrando em diferentes semestres.

O concorrido curso de Direito noturno, com aulas na antiga reitoria, está com 15 cadeiras vazias.

Parte deste crescimento de ociosidade pode ser creditada ao aumento de vagas criadas por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – o Reuni. Especialistas também apontam que as instituições estão fazendo apostas erradas em cursos e ofertas.

— Silveira Martins é uma situação de em apostamos num projeto acadêmico diferenciado, mas que não foi bem aceito e foi totalmente reformulado — afirma o reitor, Felipe Müller.

O diretor da Udessm, José Cardoso Sobrinho, não relaciona nenhum fator específico para a baixa procura nos quatro cursos existentes na unidade, porém, todos estão passando por reformulações:

— As vagas ociosas são tratadas com muita seriedade. Estamos mudando toda a proposta pedagógica dos cursos e enviaremos na próxima semana à ProGrad (Pró-Reitoria de Graduação). Pretendemos mudar de três anos para dois anos e meio a duração dos cursos — explica Cardoso.

O pró-reitor de Graduação, Orlando Fonseca, avalia que a oferta em cursos concorridos nos vestibulares, como Direito, é explicável dentro de um contexto histórico e envolvem vários semestres.

— Há vagas que vão sobrando ao longo do curso. São casos de abandono, retenção, falecimento, alunos reprovados e deixam de realizar a disciplina no próximo semestre e mudanças de curso — opina, explicando que as vagas são referentes a vários semestres.

Desafio das universidades é ter uma visão de futuro

O Ministério da Educação (MEC), por meio da assessoria de imprensa, afirma que, com o Reuni, é normal esse aumento da vagas em aberto nas instituições de ensino, mas as universidades têm o desafio de buscar um melhor aproveitamento no futuro.

Uma das sugestões do MEC seria povoar as cadeiras sobrando com a utilização do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) – que usa o desempenho no Enem como critério de seleção para o Ensino Superior.

Por meio do Reuni, desde 2007, foram injetados mais de R$ 90 milhões na UFSM.

O investimento foi concretizado em prédios novos, ampliações de centros, aumento de oferta de cursos e de vagas.

Para Paulo Kramer, cientista político e professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB), muitas instituições erram na oferta de vagas – que acaba sendo maior que a procura –, assim como os alunos quanto à escolha deles, que, depois, mudam de curso.

— É um dinheiro público que poderia ser melhor gasto com um planejamento mais eficiente — opina Kramer.

A diretora do Departamento de Registro e Controle Acadêmico da UFSM, Maria Estela Bortoluzzi Pereira, aconselha ex-alunos e demais interessados em concorrer às vagas de ingresso e reingresso na UFSM.

— Devem ler atentamente os editais — ressalta.

A inscrição custa R$ 37 e vai de 7 a 11 de maio.

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