Egito

Vinte morrem em confrontos no Cairo a poucas semanas das eleições

Explosão de violência motivou a suspensão das campanhas de vários candidatos à presidência em sinal de protesto

Atualizada em 02/05/2012 | 11h2102/05/2012 | 10h05
Vinte morrem em confrontos no Cairo a poucas semanas das eleições Khaled Desouki/AFP
Foto: Khaled Desouki / AFP
Vinte pessoas morreram nesta quarta-feira no Cairo em confrontos entre manifestantes hostis ao governo militar e homens não identificados, uma explosão de violência que motivou a suspensão das campanhas de vários candidatos à presidência em sinal de protesto.

Os dois campos travaram uma batalha de várias horas, com pedras e coquetéis molotov lançados, e algumas pessoas agredidas com barras de ferro. Várias horas depois do início do conflito ainda era possível ouvir disparos. O exército e a polícia estabeleceram um cordão de isolamento para tentar separar os dois lados dentro do bairro de Abbassiya, nas proximidades do ministério da Defesa.Entre os manifestantes estavam vários simpatizantes do dirigente salafista Hazem Abu Ismail, que teve a candidatura à presidência vetada pela comissão eleitoral.

Os confrontos deixaram 20 mortos e dezenas de feridos, segundo os médicos do hospital de campanha instalado a alguns quilômetros. O ministério da Saúde confirmou nove mortes, mas informou que o balanço era provisório.

Homens não identificados atacaram durante a madrugada os manifestantes, reunidos há vários dias para exigir a saída do exército do poder, segundo testemunhas. A violência durante as manifestações no Egito é atribuída com frequência a agentes infiltrados.

Os eventos desta quarta-feira levaram dois dos principais candidatos na eleição presidencial, programada para os dias 23 e 24 de maio, a suspender a campanha: Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, e o islamita moderado Abdel Moneim Abul Futuh.

Morsi anunciou à imprensa a suspensão da campanha por 48 horas em sinal de solidariedade com os manifestantes e disse que considera o Conselho Supremo das Forças Armadas, no poder, responsável pela violência. O Partido da Justiça e da Liberdade (PLJ), uma cisão da Irmandade Muçulmana, anunciou um boicote à reunião prevista para esta quarta-feira entre o marechal Hussein Tantawi, chefe de Estado de fato do Egito, e os partidos políticos "após os sangrentos acontecimentos" de Abbassiya.

Abul Futuh, um islamita moderado excluído da Irmandade Muçulmana, cancelou as atividades de campanha para quarta-feira pelo mesmo motivo. Outro candidato, o advogado de esquerda Khaled Ali, também anunciou a suspensão das atividades. A campanha presidencial começou oficialmente na segunda-feira.

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