Turbulência política

Egito dissolve câmara baixa e Junta Militar que governa o país

País árabe mantém segundo turno presidencial, no fim de semana, com candidato do regime

15/06/2012 | 03h45
Egito dissolve câmara baixa e Junta Militar que governa o país Amr Nabil/AP
Manifestantes que se reuniram em frente ao prédio do tribunal protestam observados por policiais Foto: Amr Nabil / AP
Um dia de fortes turbulências e incertezas políticas no Egito terminou, ontem, com a dissolução da câmara baixa do parlamento e com a Junta Militar que governa o país confirmando que o segundo turno das eleições presidenciais ocorrerá mesmo no sábado e no domingo.

As decisões do Tribunal Constitucional se baseiam em uma regra segundo a qual um terço das cadeiras do parlamento deve ser ocupado por candidatos independentes – o que não foi respeitado e tornaria o Parlamento parcialmente inconstitucional.

A decisão provocou incertezas no país em meio à tumultuada transição para a democracia no pós-Mubarak. A eleição vai opor Ahmed Shafiq, ex-premier do período do ditador Hosni Mubarak (que tinha o nome contestado por seus oponentes, mas foi confirmado também ontem pelo Judiciário), e Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana.

— O veredicto sobre o parlamento inclui a dissolução da câmara baixa em sua totalidade, porque a lei segundo a qual as eleições foram realizadas é contrária às regras da Constituição — disse o presidente do tribunal, Farouk Soltan.

Irmandade Muçulmana aceita decisões judiciais

Soltan afirmou que ficará a cargo do governo convocar as novas eleições parlamentares – a data, portanto ainda está indefinida.

A decisão do tribunal sobre o parlamento é um “golpe de Estado total”, disse Mohamed Beltagui, um alto dirigente da Irmandade Muçulmana em sua página do Facebook. A opinião, porém, é pessoal. Morsi, o candidato presidencial do grupo, disse depois, em entrevista à TV, que a decisão “deve ser respeitada”.

Protestos no Judiciário

Do lado de fora do tribunal, manifestantes cantavam “abaixo o governo militar” e jogavam pedras nos soldados que faziam um cordão de segurança. Centenas de soldados e rolos de arame farpado protegiam a corte, à beira do Rio Nilo. O alvo dos manifestantes são os “feloul”, os remanescentes do antigo regime.

A eleição parlamentar deste ano colocou os partidos islâmicos, que eram reprimidos por Mubarak, em posição de comando no Poder Legislativo – um feito que a Irmandade Muçulmana espera repetir com o seu candidato na eleição presidencial . Esses ganhos agora serão colocados de novo em disputa, em nova eleição.

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