Prevenção em aula

Escolas investem em orientações aos alunos para conter avanço da gripe A

Doença que já causou 15 mortes em 2012 no Estado deixa pais em alerta

06/07/2012 | 05h52
Escolas investem em orientações aos alunos para conter avanço da gripe A Ricardo Duarte/Agencia RBS
Alerta contra a gripe A mobiliza escolas, como o Colégio Santo Antônio (foto), na Capital, onde prevenção virou lição Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

O maior número de mortes por gripe A desde a pandemia de 2009 colocou os pais gaúchos em alerta e mobilizou as escolas. Até quinta-feira, havia 15 vítimas confirmadas no Estado, contra 14 do ano passado.

Como as vacinas estão restritas na rede pública e são limitadas nas clínicas privadas, os estabelecimentos de ensino estão apostando na prevenção e levando o tema para dentro da sala de aula. No Colégio Farroupilha, as medidas incluem a troca dos bebedouros, privilegiando um modelo no qual só é possível abastecer por copo ou garrafa, para evitar o contato de bocas com o cano de saída de água.

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Os alunos são orientados a ir bem agasalhados, porque janelas ficam abertas para garantir a ventilação das salas. Os seis funcionários do centro de saúde da escola viraram missionários antigripe, repetindo os mantras preventivos a cada oportunidade.

— Não adianta dizer uma vez só. Se entramos em uma aula para fazer algo, já aproveitamos para falar de gripe A. Trabalhamos muito com as crianças menores, porque elas cobram o comportamento correto dos mais velhos e dos professores. Elas são os meus fiscais — diz a pediatra Simone Napoleão, médica do Farroupilha.

No Colégio La Salle Santo Antônio, a auxiliar de enfermagem Juliana Bavaresco realizou palestras nas turmas de 1ª a 5ª série e dá início, agora, ao trabalho com a Educação Infantil. Para atingir melhor esse público, ela produziu materiais especiais, apostando em vídeos e música. Na tarde de quinta-feira, testou-os com alunos de quatro anos.

— Trabalho muito a questão do contato entre as crianças, que é difícil de evitar, porque ele ocorre desde a fila da entrada até a hora de ir embora — diz Juliana.

A ação das escolas responde a uma preocupação crescente dos pais, que se mostram mais alarmados à medida que novas mortes são confirmadas. O Farroupilha, por exemplo, havia feito no começo de abril um convênio para oferecer vacina com desconto.

A procura foi baixa. No final do mês, repetiu a experiência. Mais gente se vacinou, mas ainda em nível inferior ao registrado no ano passado. Só nas últimas semanas as famílias despertaram. Na quinta-feira, Simone Napoleão recebeu quatro mães assustadas.

— O que eu noto é que, neste ano, as pessoas relaxaram na vacinação. Agora, por causa dos casos, estão muito preocupadas — diz a médica.

SEC emite nota à rede estadual

As creches e as turmas de educação infantil são encaradas como o grande desafio para a prevenção da gripe A na rede estadual de ensino. Na nota encaminhada a todos os estabelecimentos da rede, a Secretaria Estadual da Educação dedicou um tópico específico às providências que devem ser tomadas nas turmas de pré-escola.

Segundo Maribel Guterres, responsável pela assessoria de saúde escolar da secretaria, as crianças menores se tocam muito e compartilham brinquedos, o que pode ampliar o risco de transmissão.

— Estamos orientando os cuidadores a lavar as mãos das crianças e a higienizar os brinquedos — afirma.

A nota técnica foi encaminhada às coordenadorias regionais de educação. A secretaria recomenda que os alunos com sintomas permaneçam sete dias em casa. No caso dos menores de 12 anos, o período de afastamento sugerido é de 14 dias.

As escolas também são chamadas a oferecer álcool para higienização e lixeiras com acionamento por pedal. Segundo Maribel, as escola devem usar suas verbas próprias para esse fim.

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