Cinco anos da tragédia

Praça Memorial 17 de Julho é inaugurada em homenagem às vítimas do voo 3054

Centenas de pessoas estiveram presentes na cerimônia, no local do acidente, no aeroporto de Congonhas

Atualizada em 17/07/2012 | 21h1017/07/2012 | 20h15
Praça Memorial 17 de Julho é inaugurada em homenagem às vítimas do voo 3054 André Penner/AP
Familiares e amigos estiveram presentes na cerimônia de inauguração do memorial às vítimas Foto: André Penner / AP

A Praça Memorial 17 de Julho, em homenagem às vítimas do acidente do voo TAM JJ3054, foi inaugurada às 19h35min desta terça-feira, em São Paulo. Uma placa foi descerrada na cerimônia que reuniu algumas centenas de pessoas no mesmo local onde o avião colidiu, há exata meia década.

A cerimônia teve início às 17h40min, com uma missa celebrada pelo bispo de Santo Amaro Dom Fernando Antonio Figueiredo e a presença do prefeito paulistano Gilberto Kassab. O momento mais emocionante foi quando, às 18h51min, fez-se silêncio, e o cabo Caetano, da Polícia Militar paulista, executou o toque de silêncio. O som foi interrompido apenas pela decolagem de um avião da TAM, a cerca de 150 metros do local.

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Como há cinco anos, era uma terça-feira chuvosa. E, como há cinco anos, faltava pouco para as 19h na capital paulista. Diferente daquele 17 de julho de 2007, quando perdeu a filha Raquel na colisão do voo TAM 3054 com um prédio junto ao aeroporto de Congonhas, nesta terça a psicóloga Zeoni Warm Ling ganhou algo: o primeiro fruto da luta para manter viva a memória da estudante de 19 anos.

— É um acalanto nos nossos corações, porque foi uma luta desde o início garantir que aquele local fosse um marco. Por dois motivos: lembrar dos nossos queridos e da necessidade de evitar outra tragédia — disse Zeoni.

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A força simbólica da praça para os integrantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 3054 (Afavitam) podia ser percebida desde a manhã, quando cerca de 30 parentes se encontraram em um salão paroquial próximo ao memorial para conversar com o advogado que acompanha o processo judicial do acidente. Houve lágrimas, abraços, conforto mesmo antes da conversa começar.

Houve revolta com a perspectiva de que um desfecho na Justiça possa demorar ainda cerca de dois anos. Mas também houve uma carga grande de alívio, por ter cumprido um dos objetivos da associação, montada em um hotel próximo a Congonhas, enquanto os familiares realizavam a difícil tarefa de esperar pela divulgação dos corpos. A praça, com seus 199 focos de luz circundando a única árvore que sobrou no terreno, é exemplo da união surgida da tragédia.

— Isso aqui virou uma família — define Renato Gomes, pai das meninas Júlia e Maria Isabel, que estavam no Airbus A-320.

De 2007 para cá, foram 44 reuniões gerais da associação, encontros que aconteceram tanto em São Paulo quanto em Porto Alegre. Gomes tentou ir a todos, e ouviu a pergunta: por que remoer, de propósito, a dor? Respondia que a chance de conversar com quem também experimentou a perda faz com que menos precise ser explicado, e a dor diminui.

Assim foi, também, com Sílvia e Arquelau Xavier. Paula, sua filha, não voltará da viagem que fez a Gramado naquele inverno de 2007, mas o casal não titubeia em qualificar, assim como Gomes, parentes de outras vítimas de familiares.

— Cada vez que os vejo, me emociono — diz, com olhos marejados.

Inaugurado o memorial com missa de bispo, discurso de prefeito e as homenagens devidas a quem ajudou, Zeoni Ling vê agora outra tarefa. Daqui para frente, gostaria de dar um pouco mais da filha Raquel, que gostava de escrever e teve contos elogiados pelo então professor, Charles Kiefer.

— O terreno foi bem maquiado, não tem mais a cara dolorida que tinha. Gostaria agora que ali fossem promovidos eventos culturais. Isso, sim, era a cara da Raquel — afirmou Zeoni.

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