Polêmica no hospital

Sindicato dos Médicos questiona microchip em jaleco no Rio de Janeiro

Medida serviria para controlar a frequência e se o profissional deixou a instituição com o uniforme

17/07/2012 | 09h10

O Sindicato dos Médicos vai entregar representação ao Ministério Público do Trabalho questionando a legalidade da instalação de microchips eletrônicos em jalecos para monitoramento de médicos da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Mesquita, na Baixada Fluminense.

Os dispositivos controlam a frequência e se o profissional deixou a instituição com o uniforme, o que aumenta o risco de infecção hospitalar. Os chips também serão aplicados em equipamentos e insumos, para "melhor controlar o patrimônio", informa a Secretaria de Estado de Saúde.

A medida causou desconforto entre médicos e funcionários e levou o sindicato a entrar com a representação. O principal argumento é que a secretaria já dispõe de meios "menos agressivos" para aferir a frequência, como o ponto eletrônico e o ponto biométrico.

— É assédio moral porque o governo pressupõe que o servidor está ali para roubar e para burlar a escala de trabalho — afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darde.

Darde afirma ainda que as unidades de saúde têm vigilantes, que controlam a entrada de pacientes.

— Esse profissional pode lembrar ao médico que ele está deixando a UPA com o jaleco. Mas a melhor forma de reduzir a infecção hospitalar é com programas de prevenção — afirmou o médico, que comparou o chip às tornozeleiras usadas por presidiários em liberdade condicional.

Segundo a secretaria, a decisão de colocar o chip foi da organização social que administra a UPA.

— Ela precisa cumprir metas e achou por bem instalá-lo. O foco não é a frequência do médico, mas sim o controle da infecção hospitalar — diz a coordenadora da enfermagem da secretaria, Silvana Pereira.

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