Caso Cachoeira

Tarso diz ter enviado a procurador as primeiras gravações contra Demóstenes

O governador fez a revelação nesta manhã durante entrevista à imprensa com o juiz espanhol Baltasar Garzón

17/07/2012 | 14h33

Na coletiva de imprensa durante a manhã desta terça-feira, no Palácio Piratini, com o magistrado espanhol Baltasar Garzón, o governador Tarso Genro revelou que a investigação criminal contra o bicheiro Carlinhos Cachoeira começou quando ele era ministro da Justiça (2007-2010).

Tarso relatou o procedimento adotado no caso que abalou Brasília logo após Garzón comentar sobre os problemas em usar escutas telefônicas como prova naqueles casos em que uma pessoa não investigada se torna suspeita de corrupção.

— Quando as escutas receberam informações do senador Demóstenes Torres e, como se diz vulgarmente, ele 'caiu no grampo', a Polícia Federal me informou. Determinei que as escutas do senador não fossem no processo criminal contra Cachoeira, mas que fossem remetidas diretamente, sem formação de inquérito, para o procurador-geral da República — disse Tarso.

Traduzindo o juridiquês, Tarso disse que as gravações chegaram ao procurador "não como prova", mas como informação para que a Procuradoria tomasse ou não providência de abrir uma investigação contra Demóstenes. O governador relembrou que a cassação do político ocorreu por quebra dos "protocolos de decência política" e que a gravação não fora considerada prova judicial até agora.

O juiz espanhol, que ganhou notoriedade internacional em 1998 ao pedir a prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, está em Porto Alegre para a Conferência Direitos Humanos, Desenvolvimento e Criminalidade Global.

O magistrado veio ao Estado para receber a Comenda da Ordem do Ponche Verde. Também hoje, o governador assina o decreto que institui a Comissão Estadual da Verdade.

 
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