Batalhão Suez

Associação busca verba para construir monumento em Porto Alegre

Homenagem para soldados gaúchos que fizeram parte de missão de paz deverá custar R$ 60 mil

21/08/2012 | 05h33
Associação busca verba para construir monumento em Porto Alegre Jean Schwarz/Agencia RBS
Manoel Martins Henrique, Alfredo dos Santos Filho e Amâncio Pinto Dias integraram o 5º Contingente Foto: Jean Schwarz / Agencia RBS

Instituída por lei em 2008, a construção do Monumento Batalhão Suez praticamente no encontro das avenidas Loureiro da Silva e Borges de Medeiros está, finalmente, prestes a tomar forma. Só falta o investimento.

A homenagem é para os cerca de 1.150 soldados gaúchos que integraram uma missão de paz da Organização das Nações Unidas. Enviados para o Oriente Médio em três contingentes — o 5º, o 13º e o 20º —, tinham como função supervisionar o cessar-fogo entre as forças egípcias e israelenses depois da Guerra do Suez. O primeiro grupo deixou o Estado em 1959. O último retornou em 1967, quando eclodiu a guerra dos Seis Dias.

— O monumento vai perpetuar não apenas o nome desse batalhão, mas a importância da primeira experiência histórica das Forças Armadas brasileiras em missão de paz da ONU. Foi uma abertura para que o nosso exército garantisse outras participações que acarretaram, inclusive, um Prêmio Nobel às Forças de Paz das Nações Unidas — defende Alfredo dos Santos Filho, vice-presidente da Associação Brasileira de Integrantes do Batalhão Suez do Estado do Rio Grande do Sul.

Em forma de pirâmide, o monumento carregará, em uma de suas quatro faces, toda a história da missão. Nas demais, os nomes de todos os soldados gaúchos que estiveram envolvidos e, no vértice superior, um globo em aço inoxidável trará as cores da ONU e um capacete. O valor da obra, que já tem o projeto aprovado pela prefeitura, é de R$ 60 mil — recurso que deve ser angariado pela associação, por meio de parcerias.

Por isso, desde que o projeto foi aprovado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em julho deste ano, os boinas azuis — em sua maioria com 73 anos — estão na rua. Com papéis em punho, buscam a colaboração de familiares e empresas interessadas em participar da concretização dessa memória.

Viagem de 35 dias até chegar à Faixa de Gaza

No gramado da Praça Batalhão Suez, Amâncio Pinto Dias lembra com orgulho dos seus 19 anos. Era 1959, e o jovem — a bordo do navio Ary Parreiras, da Marinha, e depois em um trem militar — viajava por 35 dias passando por portos de três continentes até chegar a Rafah, na Faixa de Gaza. Uma aventura que duraria 16 meses. Tempo que, segundo ele, deve ser lembrado, e o quanto antes.

— No 5º Contingente, éramos em 370 soldados. Mais da metade já morreu. Por isso, temos pressa. Seria uma imensa gratificação ter essa homenagem ainda em vida — reflete.

A localização e o projeto


- Definida por lei em 2008, a construção será na Praça Batalhão Suez

- O monumento terá uma base em granito, uma placa com a história da missão e um globo estilizado

- Sobre ele, um capacete em aço alusivo à ONU

A história

- O Batalhão Suez atuou até 1967 como parte de uma força de emergência da Organização das Nações Unidas (ONU).

- O objetivo dessa fração do Exército Brasileiro enviada ao Oriente Médio era supervisionar o cessar-fogo entre as forças egípcias e israelenses depois da Guerra do Suez.

- Cerca de 6,5 mil militares brasileiros participaram durante os 10 anos de missão. Destes, aproximadamente 1.150 eram gaúchos e faziam parte do 5º, do 13º e do 20º Contingentes do Batalhão Suez.

Guerra dos Seis Dias

- Diante da aliança militar entre Egito, Síria e Jordânia e do ataque planejado pelos três países, Israel toma a iniciativa de atacar preventivamente em 5 de junho de 1967.

- A guerra termina em 10 de junho com a vitória israelense.

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