Hora da decisão

Repasses do mensalão coincidem com votações importantes no Congresso, diz procurador-geral

Com o cronograma atrasado, Roberto Gurgel tem cinco horas para sustentar a tese do esquema

Atualizada em 03/08/2012 | 16h5303/08/2012 | 16h03
Repasses do mensalão coincidem com votações importantes no Congresso, diz procurador-geral Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr,divulgação
Segundo dia do julgamento do mensalão terá apenas a fala de Gurgel Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr,divulgação

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, iniciou sua sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira reafirmando a gravidade do esquema conhecido como mensalão, em julgamento no tribunal.

Depois de afirmar que o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu comandou um esquema criminoso, Gurgel detalhou a participação de outros suspeitos. Em seguida, o procurador expôs documentos relativos a saques bancários, que comprovariam, segundo ele, que os supostos repasses a políticos ocorriam em períodos coincidentes com votações improtantes do Congresso.

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Após citar alguns atores da história e da sociologia, como Raimundo Faoro, Maquiavel, Norberto Bobbio e Max Weber, o procurador reafirmou a acusação feita nas alegações iniciais sobre a relevância do esquema.

— Foi sem dúvida o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público realizado no Brasil — afirmou Gurgel, ressaltando tratar-se de uma "sofisticada organização criminosa" destinada a comprar votos de parlamentares no Congresso.

Ele iniciou a exposição com a apresentação do publicitário Marcos Valério à cúpula do PT. Gurgel citou depoimento do ex-deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) em que o parlamentar conta como apresentou o dono da agência SMPB a José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, apontados pela denúncia original como "núcleo político" da quadrilha que realizou o mensalão.

Gurgel destacou que o objetivo de Marcos Valério era manter e ampliar sua participação em contratos de publicidade no governo. Enfatizou que, por outro lado, a cúpula petista buscava recursos para saldar dívidas de campanha e comprar apoio no Congresso.

— A coincidência de interesses fez com que se produzisse essa associação — sustentou o procurador.

Afirmou que o núcleo político, Marcos Valério e seus sócios e diretores do Banco Rural se uniram para praticar crimes de corrupção, contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, entre outros. Gurgel já fala por cerca de 1h30minutos. Ele terá cinco horas para fazer a acusação e já ressaltou que poderá haver alguma omissão porque com este tempo teria menos de 10 minutos para abordar a situação de cada réu e poucos segundos para falar sobre cada acusação imputada a cada réu.

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