Minoria religiosa

Violência contra muçulmanos causa tensão no Mianmar

Líder islâmico ameaçou país caso "atos diabólicos" não sejam interrompidos

03/08/2012 | 06h03
Violência contra muçulmanos causa tensão no Mianmar Mohd Rasfan/AFP
Muçulmanos que protestam contra situação entraram em confronto com a polícia na Malásia Foto: Mohd Rasfan / AFP
Abu Bakar Bashir, considerado o líder espiritual do islamismo radical na Indonésia, ameaçou Mianmar se o país não interromper os "atos diabólicos" contra a minoria muçulmana, em uma carta divulgada em site local.

— Escutamos os gritos dos muçulmanos em seu país, provocados por seus atos diabólicos que consistem em expulsá-los de suas casas e matá-los — escreveu Bashir da prisão indonésia na qual cumpre pena, em uma carta com data de 22 de julho e dirigida ao presidente de Mianmar, Thein Sein.

O líder espiritual foi condenado a 15 anos de prisão por ter financiado a criação de uma célula da Al-Qaeda na ilha indonésia de Sumatra.

— Devem acabar com estas violências. Se não atenderem a este chamado, podemos destruí-los, a vocês e a seu povo — afirma a carta publicada no site vao-islam.com, cujo conteúdo foi confirmado pelo Jemaah Ansharut Tauhid (JAT), o movimento islamista fundado em 2008 por Bashir e que o governo dos Estados Unidos considera uma organização terrorista. 

Confrontos entre budistas e muçulmanos deixaram oficialmente 80 mortos em junho no estado de Rakhin, oeste de Mianmar, segundo números considerados subestimados.

Quase 800.000 rohingyas —muçulmanos — vivem confinados ao norte deste estado sem integrar os grupos étnicos reconhecidos pelo regime de Naypyidaw. Muitos birmaneses os consideram imigrantes bengaleses ilegais e não escondem a hostilidade.
 
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