Onda de violência

Líbano e Sudão registram mortes em protestos contra filme americano

Manifestações lembram a ira provocada pela publicação de caricatura do profeta Maomé por um jornal dinamarquês em 2005

14/09/2012 | 13h27
Milhares de muçulmanos protestaram nesta sexta-feira em vários países para denunciar o filme produzido nos Estados Unidos que ofende o Islã, o que desencadeou novos atos de violência, que provocaram uma morte no Líbano outra no Sudão. No Líbano, um manifestante morreu em confronto e 300 muçulmanos incendiaram um restaurante da rede KFC americana em Trípoli (norte), segundo um jornalista da AFP.

Em Cartum, a capital sudanesa, cerca de 10 mil manifestantes atacaram as embaixadas britânica e alemã, que foi incendiada e teve sua bandeira nacional substituída por um símbolo islamita, de acordo com um correspondente da AFP. Um manifestante morreu na dispersão pela policia. Em Túnis, a polícia não conseguiu conter os manifestantes e muitos invadiram as dependências da embaixada americana, onde era possível ver uma densa fumaça preta em seu estacionamento.

Os manifestantes, muito agressivos, pularam um dos muros do prédio, perto do estacionamento, onde vários veículos estavam em chamas. Em Sanaa, no Iêmen, a polícia disparou para o ar para dispersar centenas de manifestantes que se aproximavam da embaixada americana, informou um correspondente. Também foram utilizados jatos d'água para dispersar os manifestantes reunidos a 500 metros da missão diplomática, onde a bandeira americana foi queimada.

Em Bangladesh, cerca de 10 mil manifestantes queimaram em Daca bandeiras americanas e israelenses e cercaram a embaixada dos Estados Unidos. Após a oração semanal, os manifestantes se reuniram em frente à mesquita de Baitul Mokaram, a mais importante do país.

Na Indonésia, aproximadamente 350 islamitas radicais protestaram em Jacarta contra a "declaração de guerra" representada pelo filme. Na capital iraniana, Teerã, centenas de pessoas se reuniram, sob os gritos "Morte aos Estados Unidos" e "Morte a Israel", segundo imagens da televisão estatal. Na Nigéria, a polícia precisou disparar para dispersar a multidão que se manifestava.

No Cairo, onde foram registradas manifestações em frente à embaixada americana desde terça-feira, confrontos esporádicos continuaram na manhã de hoje com as forças de ordem enviadas para os arredores da missão diplomática. A poderosa Irmandade Muçulmana, do presidente Mohamed Mursi, retirou sua convocação para manifestações em todo o país, afirmando que vão organizar uma concentração simbólica no Cairo, na praça Tahrir.

Forças de segurança em alerta máximo Na Síria, cerca de 200 manifestantes organizaram um protesto em frente à embaixada americana em Damasco, que está fechada há vários meses, segundo um jornalista da AFP. Silenciosos, mostravam cartazes contra o filme.

Em Benghazi, leste da Líbia, o tráfego aéreo no aeroporto foi suspenso sem aviso prévio na madrugada de sexta-feira por motivos de segurança e posteriormente retomado, após o ataque de terça-feira contra o consulado americano, que resultou na morte do embaixador americano, Chris Stevens, e de outros três funcionários.

Vários países reforçaram a segurança das embaixadas americanas depois deste ataque.

A Índia, que possui uma importante minoria muçulmana, colocou em alerta seus efetivos enviados para os edifícios americanos. A autoridade máxima religiosa muçulmana do Estado da Caxemira pediu aos cidadãos americanos que "abandonem imediatamente" a região. No Afeganistão, as autoridades estão em alerta máxima e a maioria das embaixadas aumentaram suas medidas de segurança.

O departamento de Estado americano desaconselhou a seus residentes a ir para a Argélia por risco crescente de atentados. Contudo, as forças de segurança aumentaram sua presença nos arredores da embaixada em Argel. O Pentágono também anunciou hoje o envio de uma equipe de marines para ajudar a proteger sua embaixada no Iêmen.

A decisão de enviar 50 marines ao Iêmen é "uma medida de precaução", afirmou o porta-voz do Departamento de Defesa, George Little.

Um filme considerado como "uma agressão"

As reações, por vezes violentas, provocadas pelo filme "A inocência dos muçulmanos" lembram a ira provocada pela publicação da caricatura do profeta Maomé por um jornal dinamarquês, em 2005.

Realizado por um cineasta que se apresentou como um israelense-americano e que, segundo a imprensa dos Estados Unidos, seria copta, o filme, de uma qualidade cinematográfica péssima, ofende os muçulmanos, a quem apresenta como imorais e violentos.

O presidente egípcio, Mohamed Mursi, considerou hoje que o filme constitui uma "agressão que desvia a atenção dos verdadeiros problemas do Oriente Médio" e condenou a violência que desencadeou na região.

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