Mistérios do espaço

Físico de Passo Fundo que estuda na Nasa faz descoberta sobre os buracos negros

Artigo com os resultados da pesquisa foi publicado nesta sexta-feira na revista Science

Por: Vanessa Kannenberg
14/12/2012 - 18h43min
Físico de Passo Fundo que estuda na Nasa faz descoberta sobre os buracos negros Nasa/Divulgação
Descoberta é sobre semelhança de jatos emitidos por buracos negros completamente diferentes Foto: Nasa / Divulgação  
Um gaúcho é responsável pela mais recente descoberta que ajuda a entender os buracos negros, imensas distorções de espaço e tempo que ainda são grandes mistérios para os astrônomos.

Natural de Passo Fundo e formado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rodrigo Nemmen da Silva descobriu semelhanças entre buracos negros de massas completamente diferentes, idades e locais. O artigo com o resultado da pesquisa, que vem sendo desenvolvida há dois anos na Nasa, foi publicado nesta sexta-feira em uma das mais conceituadas revistas científicas, a Science. 

— Estou muito feliz, porque é resultado de muito trabalho e de pesquisas que comecei a desenvolver ainda enquanto estudava na UFRGS — conta Nemmen.

Segundo a agência espacial americana, buracos negros são objetos cuja gravidade deles é tão grande que nem a luz consegue consegue escapar, daí vem o nome. No entanto, eles têm diferentes massas, idades e habitam locais completamente diferentes.

Há buracos negros que têm massas gigantescas, bilhões de vezes superior à massa do sol, com milhões de anos de idade e que habitam o centro de galáxias. Eles são classificados como buracos negros supermassivos. Por outro lado, há fenômenos que pesam 10 vezes a massa do sol e que duram apenas alguns segundos e depois somem. Esses buracos negros se originam da morte de estrelas e são chamados de gamma-ray bursts, ou, em uma adaptação livre, de explosões de raios gama, que dão origem a buracos negros bebês.

O astrofísico de Passo Fundo descobriu que os jatos de gases eliminados no espaço por esses buracos negros completamente diferentes se comportam de forma bastante semelhante, fluindo em direções opostas ao longo do eixo do buraco e convertendo a sua energia em luz com a mesma eficiência. 

— Em uma analogia simples, é como se tivéssemos descoberto que uma pessoa quase sem renda e um bilionário gastassem a mesma porcentagem com contas de luz.

O cientista ainda não têm total compreensão de como essas partículas expelidas se comportam. No entanto, a descoberta de semelhanças entre antigos buracos negros localizados em galáxias distantes e buracos negros recém-nascidos da morte de estrelas deve ajudar a entender melhor como os buracos que puxam a maioria das partículas do espaço também jogam outras fora, e como a saída de energia pode afetar o espaço circundante.

Segundo Nemmen, a descoberta também pode ajudar na unificação de diferentes tipos de astros. Isso porque, conforme o gaúcho, atualmente os grupos de astrônomos se dividem para estudar diferentes tipos de buracos negros, o que dificulta as pesquisas.

Nemmen faz pós-doutorado na Nasa, na Goddard Space Flight Center, e mora na capital dos Estados Unidos, Washington. Para chegar à descoberta, ele contou com a ajuda de cinco pesquisadores, do telescópio espacial Fermi e de dados do satélite Swift da Nasa:

— Escolhi estudar os buracos negros, porque é algo fascinante e são laboratórios incríveis para entender a natureza, e que mexe com o imaginário popular. Mas, se eu paro pra pensar, vejo que é um objeto bizarro, que  desafia a nossa imaginação. 


PARA SEU FILHO LER

O que são buracos negros?

— Buraco negro é uma região do espaço que é tão grande que nada consegue escapar dele quando passa perto, tudo é sugado para dentro dele. Até a luz é engolida, é por isso que são chamados de “buracos negros”.

— Eles também não podem ser vistos. Os cientistas sabem que eles existem, por exemplo, observando o movimento de estrelas em volta deles no espaço.

— Mesmo se um astronauta pudesse ligar um holofote perto de um buraco negro, a luz seria engolida antes que pudesse iluminar qualquer coisa. Por isso, esses objetos escuros são um dos maiores mistérios da ciência.

— A maior dúvida, que ninguém ainda conseguiu descobrir, é o que acontece com as coisas que vão para dentro do buraco negro.
 
 
 
 
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