Norte do Estado

Turista gaúcha assassinada na Ponte da Amizade sonhava em ensinar crianças

Investigação será feita pela polícia paraguaia

13/01/2013 | 16h39
Turista gaúcha assassinada na Ponte da Amizade sonhava em ensinar crianças Diogo Zanatta/Especial
Noiara Bonatto Foto: Diogo Zanatta / Especial

Ensinar crianças era um dos sonhos de Noiara Bonatto, morta após ser baleada durante um assalto sobre a Ponte da Amizade, na fronteira do Brasil com o Paraguai. A jovem será enterrada às 20h deste domingo no Memorial da Paz, em Passo Fundo.

Desde jovem Noiara pretendia ser professora. Ela cursou Ensino Médio com habilitação em Magistério e chegou a lecionar em uma escolinha de educação infantil. Mas a vinda da filha Amanda, hoje com nove anos, acabou se tornando a prioridade para a jovem, que agora trabalhava como vendedora nas lojas Brasóptica de Passo Fundo.

Há um ano, preocupada em proporcionar para Amanda um futuro melhor, ela decidiu retomar os estudos e passou a cursar Pedagogia na Universidade de Passo Fundo. A viagem ao Paraguai não era novidade para Noiara, que já tinha ido a Ciudad Del Este em outras ocasiões. As horas extras feitas no natal, o 13º salário e o salário do mês haviam sido reservados para fazer compras. Na lista, uma mochila, uma boneca Barbie e um celular para a filha.

- Ela estava feliz, queria se formar, fazer concurso, sonhava em comprar um apartamento para morar com a filha, conta a avó de Amanda, Neiva Gobbato.

A ex-sogra, que cuidava da neta para que Noiara pudesse trabalhar e estudar, precisou contar a tragédia para a criança, na noite de sábado.

- Estava dando na TV, tive que contar. Ela chorou muito, pedia pela mãe e não dormiu à noite, é uma dor muito grande para uma criança assimilar, lamenta Neiva.

O corpo de Noiara Elisabete Bonatto de Souza, 26 anos, deve ser enterrado às 20h deste domingo, no Memorial da Paz.

Como o crime ocorreu no lado paraguaio da ponte, caberá a Polícia  do Paraguai a investigação. Ainda assim, a família solicitou que as autoridades brasileiras acompanhem o caso.

Havia medo de assaltos

Morador de Getúlio Vargas, no norte do Estado, o turista que auxiliou o casal na Ponte da Amizade, contou como foi o momento do assalto. Com medo, ele preferiu não se identificar.

A preocupação com assaltos já existia. O turista que atravessava a ponte logo atrás do casal, contou que aguardou na cabeceira da ponte com a mulher e dois amigos, até que Freitas e Noiara se juntassem ao grupo, já que era escuro.

Eles não se conheciam, mas ali mesmo combinaram de fazer a travessia em grupo. Ele conta que já haviam passado para o lado paraguaio, quando um jovem com cerca de 17 anos, passou correndo por eles, esbarrou no grupo e se virou, atirando contra Noiara.

Logo atrás, outro jovem um pouco mais velho surgiu pedindo o dinheiro.

- Ele falava português. Entreguei o dinheiro pra ele. Disse: Tá louco, cara? Olha o que tu fez! Daí ele pulou a cerca. Foi questão de 30 segundos. Ninguém reagiu. Foi covardia mesmo, conta.

Conforme o turista, que mora em Getúlio Vargas, no norte do Estado, os assaltantes fugiram em motocicletas em direção ao Brasil. 

Emocionado, ele conta que o marido de Noiara perdeu as forças e não conseguiu carregar a jovem. Ela estava assustada, mas consciente e falando enquanto era conduzida sobre a ponte. Eles se revezaram na tarefa até encontrar uma van que levou os dois ao hospital.

Notícias Relacionadas

Morte no Paraguai 12/01/2013 | 18h25

Criminoso estava a pé e não anunciou o assalto, diz companheiro da vítima

Diego Freitas, 34 anos, conta que Noiara Elisabete Bonatto de Souza, 27 anos, e ele foram surpreendidos e não puderam reagir

 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.