Imagem é tudo

Câmeras de vigilância são decisivas para solucionar crimes

Episódios recentes mostram a eficácia do videomonitoramento para gerar provas contra bandidos

20/04/2013 - 14h08min
Câmeras de vigilância são decisivas para solucionar crimes Divulgação/Polícia Cívil do RS
Em março, câmera flagrou assassino de taxistas na Avenida Assis Brasil, na Capital Foto: Divulgação / Polícia Cívil do RS  

Eficazes, válidos como prova documental e bem mais baratos que a contratação de pessoal, os sistemas de videomonitoramento são a aposta no universo militar e policial para combater as ameaças à sociedade — do terrorismo ao crime organizado. E isso não se trata de futuro, acontece agora. A profusão de câmeras de vigilância nas cidades torna o flagrante de delitos muito mais frequente.

Quando não registram o momento exato de um crime, as imagens no mínimo facilitam a reconstituição dos passos do suspeito nas imediações da cena. São exemplos de casos resolvidos nos últimos dias no Brasil:

– O assassinato de seis taxistas na capital gaúcha e em Santana do Livramento.

– Pelo menos 10 ataques a postos de gasolina na Capital.

– Jovem morto por um PM à paisana, na saída de uma festa, em Pelotas.

Também foram decisivas no Exterior:

–  Os atentados a bomba em Boston (EUA). Imagens de videomonitoramento e de câmeras de TV foram usadas para identificar dois homens. Com uso de explosivos, eles são suspeitos de pelo menos três mortos e mais de 180 feridos.

Todos esses crimes têm em comum o fato de que os suspeitos foram reconhecidos mediante uso de câmeras de monitoramento.

— A imagem serve para ter a reconstituição visual do autor. Tanto para mostrar às testemunhas, como para confrontar com o depoimento do suspeito. A prova testemunhal é versão de um contra outro, mas contra a imagem não há argumento — explica o delegado Gabriel Bicca, da 4ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, que atuou no caso do matador de taxistas.

Leia mais: Sala de comando da Capital monitora 600 câmeras

Para José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança Pública, a ampla cobertura das câmeras acaba produzindo um cruzamento de imagens de grande proveito. Mas especialistas em segurança ressalvam que, se está comprovada a eficiência das câmeras no auxílio à investigação, ainda são tímidos os efeitos desses equipamentos na prevenção de delitos.

Na avaliação de José Vicente, não há sentido em se fazer um investimento excessivo em câmeras por parte da polícia por uma razão objetiva: falta efetivo para monitorar as imagens 24 horas por dia. O coronel defende a instalação de câmeras em pontos estratégicos para a polícia e o aproveitamento das câmeras privadas nos demais casos.

Opinião semelhante tem o coronel da reserva da Brigada Militar Luiz Antônio Brenner Guimarães:

— Na investigação policial pós-fato, essas imagens podem ter um papel significativo, mas não têm surtido efeito para reduzir a criminalidade, porque não há uma capacidade de resposta.

O próprio caso de Porto Alegre ilustra esse quadro. No Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), quatro operadores por turno monitoram 16 câmeras em sistema de rodízio, de um total de 42 canais. Para monitorar todos em tempo integral, seriam necessários 10 operadores por turno, conforme o chefe do Ciosp, major Gilberto da Silva Viegas. Ele admite que não houve redução no número de ocorrências por causa das câmeras.

— Mas há muito mais celeridade na ação da polícia, pois é possível o despacho imediato para o local e com a descrição do meliante — afirma Viegas.

Em março, a BM efetuou, a partir do videomonitoramento no Ciosp, 18 prisões em flagrante, as quais, sem o registro das lentes, dificilmente entrariam na estatística.

Veja exemplos em que o videomonitoramento
ajudou a polícia a desvendar crimes:

Ataque em Cotiporã
Imagens de câmeras de segurança da fábrica de joias Guindani, em Cotiporã, foram decisivas para identificar roupas e trejeitos dos bandidos que atacaram o local na madrugada de 30 de dezembro passado. A quadrilha fez nove reféns. Na fuga, três criminosos morreram em tiroteio com a BM e outros três acabaram capturados, dias depois.

Selvageria no Centro
Câmeras da Guarda Municipal de Porto Alegre flagraram o assassinato de um morador de rua, em fevereiro. Ele foi morto a pedradas por um grupo de pessoas a quem, supostamente, teria tentado assaltar antes de ser linchado. As imagens de uma câmera da EPTC geraram denúncias que ajudaram a Polícia Civil e a BM a identificar os autores do crime.

Morte de coronel
Um Gol vermelho foi flagrado por câmeras perseguindo o carro do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias na noite de 1º de novembro, quando foi assassinado. Perícia no veículo, encontrado após o crime, revelou impressões digitais semelhantes às de dois suspeitos. O Gol tinha sido roubado duas semanas antes do crime.

Assaltos a postos
Dois suspeitos de terem assaltado cerca de 10 postos de combustíveis em Porto Alegre , foram presos na quinta-feira. A dupla, flagrada por câmeras de segurança, foi reconhecida por vítimas de pelo menos dois estabelecimentos que teriam sido atacados cinco vezes. O crime, em alta no Estado, preocupa clientes, frentistas e donos de postos.

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