Flagrante de maus tratos

Vídeo mostra agressão de cachorro em Porto Alegre

Imagens divulgadas na internet foram feitas na sexta-feira, por vizinho da agressora

12/05/2013 - 18h10min
Vídeo mostra agressão de cachorro em Porto Alegre Reprodução/
Vídeo postado no YouTube mostra momento em que o animal era agredido Foto: Reprodução  

Compilados em 10 minutos e 36 segundos de gravação, quatro vídeos postados na internet no sábado chocam pelo conteúdo: com uma criança no colo, uma mulher agride o cachorro da família e estimula o filho a fazer o mesmo, a pontapés, na sacada de um condomínio da Zona Norte de Porto Alegre.

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As imagens foram feitas por um vizinho da agressora na sexta-feira. Intrigado com o choro incessante do poodle toy filhote adotado pela família dias antes, ele usou o celular para registrar as agressões.

— Cheguei em casa por volta do meio dia. A primeira gravação foi pouco depois das 13h. A cada meia hora, ele começava a chorar de novo. Fui bem cauteloso para conseguir filmar sem que ela me visse. A última gravação foi feita pelas 16h, quando ela deixou o cachorro desacordado na sacada e foi pedir ajuda — conta.

Durante as gravações, ouve-se a voz da mulher ironizando o gosto por animais e expulsando o cão de dentro de casa — algumas agressões reproduzidas pelo filho mais velho, que aparece atirando o filhote no chão e o chutando contra a parede.

Por duas vezes, o cachorro surge deslizando da porta de casa até o muro da sacada. Pouco após sete minutos da gravação postada na internet, a mulher diz para o filho:

— Todos os cachorros, todos os bichos que tu vê na rua, a gente não trata bem, a gente vai lá e bate. Escutou?

Segundo vizinhos, após a agressão, a mulher saiu com as duas crianças do apartamento e dirigiu-se à portaria do prédio pedindo socorro. Chorando, teria relatado estar preocupada com o estado de saúde do cachorro.

Preocupados com o animal, três moradores do condomínio o retiraram da sacada da mulher. O cão foi devolvido à família até a chegada do síndico, que convenceu o marido da agressora a entregá-lo.

Dono de uma clínica veterinária, o síndico ficou com o animal na noite de sexta-feira e o levou para exames no dia seguinte. De acordo com o empresário, o animal passa bem.

— O dono entendeu que a mulher não tinha condições de ficar com o animal. Teve um ato consciente, entregou o cachorro com carteirinha de vacinação, inclusive. Apesar das imagens fortes, ele não tinha fraturas externas, nem internas. Fizemos os exames e o deixamos ele em observação durante todo o dia — conta.

Depois de passar o dia na clínica veterinária, o cachorro foi adotado pelo subsíndico do prédio. O caso foi levado à Polícia Civil e à Secretaria Especial de Direitos Animais (Seda).

Diante da presença de crianças no vídeo, a secretária especial de Direitos Animais, Regina Becker, acionou o Conselho Tutelar para verificar a possibilidade de afastamento do convívio de mãe e filhos.

— O que mais preocupa são as crianças. Relatos dos vizinhos dizem que esta senhora tem um comportamento violento com os filhos. A questão com os animais é um processo educativo. Quem é estimulado a agredir animais na infância normalmente se torna um adulto agressivo com outras pessoas também. Quanto ao animal, sabemos que passa bem e está em processo de adoção.

De acordo com a secretária, somente em abril foram encaminhadas 8 mil fiscalizações por denúncias de maus-tratos a animais em Porto Alegre. É possível denunciar através do 156 Fala Porto Alegre.

Procurada por ZH, a agressora não foi encontrada no condomínio. Segundo relato de uma vizinha, a mulher deixou o apartamento de cabeça coberta, com duas malas, o marido e os dois filhos por volta das 18h.

Um dia depois de ser eleito subsíndico do condomínio onde ocorreram os maus-tratos, o morador que adotou o cachorro deixava o prédio no começo da noite quando falou a ZH. Ele recolheu o animal da sacada da vizinha para prestar socorro.

— No momento em que eu vi o filhote, não agi como síndico. Foi impulso. Quando o marido dela resolveu se desfazer, me ofereci na hora para ficar com ele _ lembra.

Dono de outros dois cachorros _ hospedados na casa de parentes próximos _, e pai de uma menina de um ano e três meses, conta conta que já pensava em adotar outro para crescer com a filha.

— Quero que ela se acostume desde cedo a conviver com animais. O cachorro é manhoso, quietinho. Mas já comeu e brincou. Agora está tudo bem.

 
 
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