Onda de protestos

Tarso avalia que minoria fascista dominou as manifestações de rua

Alarmado, governador afirmou que violência e manifestações de ódio dos extremistas de esquerda e direita abrem brecha para queda da democracia

21/06/2013 - 19h39min
Tarso avalia que minoria fascista dominou as manifestações de rua Bruno Alencastro/Agência RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agência RBS  

O nível de violência dos protestos em parte do país, incluindo Porto Alegre, acendeu a luz de alerta no Palácio Piratini. Tanto o governador Tarso Genro quanto os seus assessores mais próximos avaliam que a democracia brasileira atravessa momento de forte turbulência devido ao fato de tendências anarco-esquerdistas e de ultradireita, mesmo em minoria, terem tomado à frente das manifestações.

Como resultado, perdem força as reivindicações populares, como a redução da tarifa do ônibus, e grassam depredações a prédios públicos e privados, saques de estabelecimentos e declarações de ódio a partidos políticos.

— Está instaurado nesse movimento uma tendência fascista, mesmo que ainda minoritária. É a primeira vez na história que ocorre um movimento de massa sem direção definida. Quando isso ocorre, é natural que skinheads e outros tipos de organizações assumam à frente — avaliou o governador.

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Ele avaliou que os grupos extremistas promovem uma "ação direta" que acaba substituindo a racionalidade. Outra consequência da escalada de violência e ódio é o sufocamento das bandeiras da maioria que vai às ruas para exigir avanços sociais e exercer a cidadania.

— Tem uma frase do Mussolini que sintetiza isso: a ação sufocou a inteligência. Uma visão clara do fascismo.

Tarso também comentou a ação dos anarquistas, em alguns casos aliados à ultraesquerda.

— Eles (anarquistas) tem influência e controle direto dos atos de vandalismo. Isso já foi identificado pela Polícia. São jovens desorientados que caem na marginalidade, entendem que a violência é solução para tudo. Odeiam tudo aquilo que não são eles mesmos. São os introdutores do vírus da violência num movimento que tem enorme respeito social pela pauta generosa que tem apresentado.

O governador ainda abordou as conexões dos anarquistas de Porto Alegre com grupos internacionais que compartilham do mesmo ideário. Já foram identificadas trocas de experiências e orientações para enfrentamento com a Polícia e produção de explosivos.

— Existe uma doutrina anárquica, radicalmente antidemocrática, que ensina desde fazer escudo até bomba caseira. É uma relação internacional nova, está ocorrendo em vários países europeus e também na América Latina. Isso tem de ser compreendido como uma excrescência democrática — afirmou.

Sem citar as siglas, ele ainda cobrou dos partidos de ultraesquerda que reavaliem as suas alianças com determinados grupos. No Rio Grande do Sul, os anarquistas, apesar de divergências ideológicas, têm atuado em conjunto com PSOL, PSTU e PCO.

— Todos os partidos e pessoas, inclusive os de ultraesquerda, tem de ajudar a combater isso. Ninguém sobrevive a isso. Todos sucumbem. O caminho é aquele que nós já conhecemos e causou a Segunda Guerra Mundial — disse, em referência ao nazismo.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, Tarso informou que pediu aos seus colaboradores políticos a formulação de uma proposta de passe livre para os estudantes em território nacional. Ele pretende levar a ideia para um debate nacional. Também reafirmou a necessidade de o Congresso aprovar a reforma política e o financiamento público de campanha como forma de revigorar o sistema democrático. Para Tarso, os congressistas não estão respondendo à altura as demandas que vem das ruas.  

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