Saúde em crise

Médicos anunciam paralisação nesta terça e quarta-feira

Ação é motivada pelos vetos à lei do Ato Médico e contratação de médicos estrangeiros

29/07/2013 - 20h36min

Médicos de todo o país anunciam paralisação dos serviços de saúde pública e privada nesta terça, 30, e quarta-feira, 31. Motivados pelo veto à lei do Ato Médico e pela iniciativa do programa Mais Médicos em trazer profissionais de fora do país, a categoria entende que as medidas do governo federal são "demagógicas e eleitoreiras".

Os serviços de urgência e emergência funcionarão normalmente. As consultas eletivas serão mantidas pela metade. A orientação das entidades e da secretaria da saúde da Capital é para quem possui consultas ou procedimentos agendados troque a data para depois de quarta-feira. Casos graves não deixarão de ser atendidos.

Decidida em assembleia geral realizada na semana passada, a paralisação tem o objetivo de protestar contra medidas do governo federal que, segundo a categoria, não atacam os reais problemas da saúde brasileira.

De acordo com o presidente do Sindicato Médico do RS (Simers), Paulo Argollo Mendes, a mobilização é uma reação direta aos vetos da presidente Dilma Rousseff à lei do Ato Médico, que determinava que diagnósticos e tratamentos são prerrogativas do profissional da medicina. Outra razão é a estrutura do programa Mais Médicos para o Brasil, que desagradou a categoria:

— Trazer médicos estrangeiros sem revalidação do diploma coloca em risco a saúde dos brasileiros, e dar emprego aos médicos locais sem nenhum direito trabalhista não resolve os problemas do país — afirma Argollo.

No Interior, a indignação é igual. De acordo com Horácio Augusto de Miranda Brum, presidente do Sindicato dos Médicos de Rio Grande (Simerg), o problema da saúde no Brasil não é a falta de médicos, mas de investimento em infraestrutura nos postos e hospitais públicos.

— Não podemos obrigar ninguém a parar. Só queremos chamar a atenção do governo para o fato de estarmos descontentes com as medidas sem onerar muito a população — esclarece, ao informar que a paralisação é uma decisão de cada profissional.

As atividades fazem parte do calendário de greve estabelecido pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB). No Estado, Conselho Regional de Medicina (Cremers), Sindicato Médico (Simers), Associação Médica (Amrigs), a Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Associação dos Médicos Residentes (Amerers) aderem à paralisação.

 

CIDADES QUE PODEM PARAR:

Porto Alegre, Erechim, Bagé, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo, Rio Grande, Santana do Livramento, Uruguaiana, Santa Maria, Santo Ângelo e Ijuí.

SERVIÇOS MANTIDOS:

l Emergências e urgências de hospitais

l Postos de saúde

l Consultórios médicos

l Unidades Básicas de Saúde (UBS)

l Unidades de Saúde da Família (USF)

l Centros de Especialidades

l Unidades da Operação Inverno, com horário estendido ao terceiro turno

O QUE FAZER SE VOCÊ TEM CONSULTA OU EXAME AGENDADO:

Os pacientes com consultas eletivas previamente marcadas para os dias 30 e 31 de julho que comparecerem às unidades e não forem atendidos em razão da ausência de médicos terão novas datas e horários agendados. Casos graves não deixarão de ser atendidos.

POR QUE PARAM:

l Descontentamento com a contratação de médicos estrangeiros

l Pedem plano de carreira para médicos contratados para o Interior e capitais

l Querem mais investimento em infraestrutura no serviço público

l Discordam do veto à lei do Ato Médico e da ampliação do curso de medicina de 6 para 8 anos

 
 
 
 
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