Programa polêmico

Somente 3,5% das vagas do programa Mais Médicos são preenchidas no RS

Das 1.323 vagas abertas no Estado, só 47 foram ocupadas, o que corresponde a 3,5% do total

06/08/2013 | 17h22

Se a primeira fase do programa Mais Médicos decepcionou ao indicar que somente 10% das cidades gaúchas inscritas seriam atendidas, os resultados divulgados nesta terça-feira aumentaram a frustração: só 6% delas tiveram a confirmação de que receberão profissionais.

Dos 107 médicos que haviam sido selecionados para 35 cidades gaúchas, apenas 47 homologaram sua inscrição, reduzindo o número de cidades beneficiadas para 22. Ou seja: 56% deles desistiram no meio do caminho. Das 1.323 vagas abertas no Rio Grande do Sul, só 47 estão preenchidas até o momento, o que corresponde a 3,5% do total.

A baixa adesão se repete no restante do Brasil. O número anunciado pelo Ministério da Saúde destacou a participação de 938 médicos para atender 404 cidades em todo o país.

As vagas preenchidas equivalem a 6% da demanda dos municípios — a necessidade para completar os quadros na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 15.460 profissionais.

A quantidade de participantes do programa é 53% menor que o número de profissionais inscritos — 1.753 médicos afirmaram interesse em participar do Mais Médicos, mas 815 não concordaram com o local para o qual foram direcionados.

Inicialmente, 626 municípios seriam atendidos. Dos 938 profissionais confirmados nessa primeira etapa, 51,8% atuarão nas periferias de capitais e regiões metropolitanas e 48,1%, em cidades do interior de alta vulnerabilidade social.

Quase metade deles se formou entre 2011 e 2013. Entre os 404 municípios que vão receber médicos pelo programa, 213 estão em regiões com 20% ou mais da população em situação de extrema pobreza, 111 em regiões metropolitanas, 24 são capitais.

Foram atendidos, ainda, 16 distritos sanitários indígenas. A região Nordeste foi a contemplada com maior número de profissionais: 372, direcionados a 203 cidades.

Em seguida, é a região Sudeste, com 216 médicos para 77 municípios. A região Norte vai receber 144 profissionais distribuídos em 49 áreas. Outros 107 vão para 53 cidades da região Sul e 99, para 22 municípios do Centro-Oeste.

Os Estados que receberão mais médicos são Ceará (91), Bahia (85), Goiás (70), Minas Gerais (64), Espírito Santo (58), Pernambuco (55), Rio de Janeiro (49), Rio Grande do Sul (47), Amazonas (45) e São Paulo (45).

Outras etapas

A adesão abaixo do esperado levou o Ministério da Saúde a manter até quinta-feira a possibilidade de indicação, por médicos brasileiros, de seis opções de cidades em que desejam atuar. Uma nova lista será publicada no sábado.

Nesse mesmo período, os médicos brasileiros ou estrangeiros que atuam em outros países poderão selecionar municípios com vagas não ocupadas na primeira fase.

Dia 15 de agosto tem início a próxima chamada de médicos e municípios. Os profissionais do Mais Médicos, tanto brasileiros como estrangeiros, devem começar a atuar nos municípios no mês que vem.

Os médicos formados no exterior serão avaliados e supervisionados por universidades federais, de todas as regiões do País, que se inscreveram na primeira etapa do programa.

O programa Mais Médicos, lançado pela presidente da República, Dilma Rousseff no dia 8 de julho, integra um pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS na tentativa de acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde e ampliar o número de médicos nas regiões carentes do País.

Os médicos participantes receberão bolsa federal de R$ 10 mil, paga pelo Ministério da Saúde, mais ajuda de custo, e farão especialização em Atenção Básica durante os três anos do programa.

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