ENTREVISTA

Como se recuperar do trauma causado pela exposição indevida na internet

Por: Heloisa Aruth Sturm
29/10/2013 - 05h04min

Recuperar-se do trauma causado pela exposição indevida na internet não é fácil, mas é possível. A psicóloga Carolina Lisboa, especialista em ciberbullying, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), conversou com a Zero Hora sobre os motivos e o impacto dessas ações sobre as vítimas.

Zero Hora — O que leva uma pessoa a ter esse tipo de comportamento?

Carolina Lisboa — Os jovens têm dificuldade cognitiva de antecipar as consequências dos seus atos, e as ferramentas são tão dinâmicas que, quando ele percebe a dimensão do que cometeu, já não há como remediar. Mas os adultos já possuem essa capacidade, então a explicação está relacionada ainda a essa aceitação de uma dominação masculina, da submissão feminina e a banalização da violência contra a mulher, além de aspectos do contexto atual, como o narcisismo, o imediatismo, que também tem a ver com o baixo controle dos impulsos, e o desrespeito nas relações interpessoais.

ZH — Como se prevenir?

Carolina — Às vezes elas nem sabem que estão sendo filmadas, tem vezes que confiam. Mas como é que vamos dar uma dica de dizer para as pessoas desconfiarem? É ruim ficar paranoide, porque vai acarretar sofrimento. A pessoa precisa confiar e lidar com a frustração de quebrar a cara. Dependendo do vínculo, poderia constituir algo mais sólido antes de fazer filmagens, mas às vezes isso faz parte da fantasia sexual, e pode ser muito saudável para o casal. Não há uma fórmula, mas constituir uma relação sólida e de confiança pode dar uma garantia um pouco maior. Muita conversa e negociação nos relacionamentos, não deixar acumular raiva, muito respeito, porque a chance de retaliação é menor. Mas ninguém está livre.

ZH — Como se recuperar do trauma?

Carolina — Dizer que não vai sofrer e que não é pra dar bola é uma hipocrisia, porque a pessoa se sente muito exposta. Quem sofre esse tipo de exposição se sente muito encurralado, com um grau de ansiedade, angústia e dor tão elevado que a situação começa a se tornar insustentável. Muitos pensam até em suicídio. O apoio dos amigos e da família é fundamental, e às vezes é necessário também passar por um tratamento psicológico específico, que pode ser de curta duração, porque às vezes ela só precisa de uma orientação. Mas é importante tentar aceitar a situação e não ficar excessivamente desconfiada em relação a situações futuras.

 
 
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