Compromisso

Construtora dará R$ 17 milhões de contrapartida para fechar acordo sobre casas da Rua Luciana de Abreu

Goldsztein se responsabilizará pela revitalização dos imóveis e pela conclusão de abrigo filantrópico na Capital

06/11/2013 - 15h54min | Atualizada em 06/11/2013 - 15h58min
Construtora dará R$ 17 milhões de contrapartida para fechar acordo sobre casas da Rua Luciana de Abreu Ricardo Duarte/Agencia RBS
Construtora calcula custo de R$ 15 milhões na restauração de três das casas Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS  
Metade das seis casas da Rua Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, será restaurada e preservada. A garantia da manutenção das três construções foi acordada entre Ministério Público Estadual, a construtora Goldsztein, proprietária do terreno, e a prefeitura.

A informação, que já havia sido confirmada anteriormente, foi detalhada em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira. Para que um edifício de 16 andares possa ser levantado no local, a construtora irá revitalizar as três casas que serão preservadas — o valor da restauração está estimado em R$ 15 milhões.

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Além disso, a Goldsztein se responsabilizará pela conclusão da sede da casa Menino Jesus de Praga, localizada o bairro Partenon, em Porto Alegre. A instituição filantrópica presta atendimento social a crianças carentes com deficiências cerebrais. O valor da obra é de R$ 2 milhões.

Assim, estão garantidas a preservação parcial das construções, localizadas entre os números 242 e 272 da via, e a realização parcial do empreendimento imobiliário da Goldsztein, que ainda irá apresentar uma contrapartida social. Segundo a Secretaria Municipal da Cultura, a destinação do uso das casas depende da vocação da região.

Para Raul Agostini, presidente da associação Moinhos Vive, a proposta do MP foi unilateral e não levou em conta a vontade da entidade, que recolheu mais de 10 mil assinaturas demonstrando o interesse da comunidade na manutenção das seis casas:

— O acordo contraria totalmente o que foi conversado com o procurador. É um atestado de óbito. Precederam o interesse de uma empresa e da prefeitura à vontade da comunidade.

Entenda o caso

Em 16 de setembro, a Justiça negou o valor histórico das construções da década de 1930. A decisão abriu caminho para que a Goldsztein pudesse construir um edifício de 16 andares no local. A decisão foi contestada por moradores do bairro e defensores da preservação do casario, que organizaram manifestações em frente às construções e se mobilizaram via redes sociais.