Pequeno sinal

Oposição síria anuncia primeiro avanço nas tratativas em Genebra

No quinto dia de negociações presididas pela ONU na Suíça, expectativas seguem baixas, mas diálogo continua

29/01/2014 | 13h29
Oposição síria anuncia primeiro avanço nas tratativas em Genebra FABRICE COFFRINI/AFP
Porta-voz da delegação da oposição síria em Genebra, Louay Safi Foto: FABRICE COFFRINI / AFP

A oposição síria anunciou nesta quarta-feira que foi dado um "passo positivo" nas negociações com o governo do país em Genebra, no quinto dia da conferência, porque abordou-se o tema de um governo de oposição.

O avanço ocorreu na sessão matutina deste quinto dia de negociações, presididas pelo mediador da ONU Lakhdar Brahimi, que reuniu as delegações representantes o governo do presidente Bashar al-Assad e da Coalizão de Oposição Nacional, iniciada por volta de 11h (8h de Brasília).

— Hoje houve um passo positivo porque pela primeira vez estamos falando de uma autoridade governamental de transição — afirmou à imprensa Luai Safi, um membro da oposição, ao final da sessão.

No momento, o regime sírio não reagiu a estas declarações.

O estabelecimento de uma autoridade governamental de transição foi prevista no acordo de Genebra I, adotado em junho de 2012 pelas grandes potências, e que está no centro das discussões em Genebra.

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A interpretação deste texto pelas duas partes em conflito é diametralmente oposta: a oposição considera que Genebra I abre caminho para uma transição sem o presidente Bashar al-Assad, enquanto Damasco exclui esta possibilidade e afirma que o texto evoca primeiramente o fim dos combates.

Até agora, os lados encontram grande dificuldade em discutir as questões políticas, principalmente sobre um futuro governo de transição.

Há um descontentamento também pelo fracasso em chegar a um acordo sobre medidas de ajuda humanitária, especialmente sobre os moradores da cidade central de Homs, onde caminhões das Nações Unidas esperam acesso para entregar comida e remédios.

As conversas de segunda-feira foram interrompidas por um pedido dos representantes do regime por uma declaração condenando o apoio dos Estados Unidos a "terroristas", pela ajuda de Washington aos rebeldes.

A oposição declarou ter apresentando propostas sobre a melhor maneira de avanças as negociações, mas disse que a delegação governista não quis discuti-las.

Brahimi anunciou ter cancelado a reunião de terça a tarde e convocou as partes para o que ele "esperava que fosse uma reunião melhor" na quarta-feira.

— Ninguém está indo embora, ninguém está fugindo. Ainda não conseguimos avançar, mas seguimos tentando, e isso é suficientemente bom para mim — afirmou Brahimi à imprensa.

Uma fonte da oposição disse à AFP que o regime foi convidado a explicar nesta quarta como eles vêem o comunicado de Genebra I, a primeira conferência, que em 2012 pediu pela formação de um governo de transição.

— Brahimi ontem foi muito claro: a delegação do governo deve apresentar sua proposta e sua visão sobre Genebra I — explicou a fonte.

Nenhum lado quer abandonar reunião

Os dois lados foram reunidos num dos maiores esforços diplomáticos até hoje para encerrar a guerra civil que já deixou mais de 130 mil mortos e milhões de desabrigados.

Apesar do passo positivo, as expectativas de um acordo continuam baixas.

Mesmo assim, nenhum dos lados quer ser o primeiro a abandonar a conferência, que deve durar até sexta.

A única promessa real saída das conversas foi que, segundo Brahimi declarou no domingo, o regime concordou em deixar mulheres e crianças saírem em segurança de Homs, cidade controlada pelos rebeldes, e cercada pelas forças do governo.

Mas até agora nada foi feito sobre isso, nem sobre a saídas das pessoas, nem sobra a esperança de Brahimi da entrada de ajuda na área.

Homs está cercada desde junho de 2012, e aproximadamente 500 famílias vivem lá, com bombardeios quase diários e suprimentos escassos.

Forças da ONU e da Cruz Vermelha anunciaram estar prontas para entrar com ajuda, esperando apenas uma autorização do regime.

Foram necessários meses de pressão de Washington, que apóia a oposição, e de Moscou, principal aliado internacional de Assad, para juntar os dois lados na conferência.

Mas em seu discurso anual do Estado da União o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez apenas uma pequena menção à Síria, dizendo que seu governo continuaria a trabalhar por um futuro "que o povo da Síria merece - um futuro livre da ditadura, do terror e do medo".

 
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