Grupo especial

Ansiedade marca véspera dos desfiles no Porto Seco, em Porto Alegre

Com luzes e coreografias, carnavalescos querem encantar o público e impressionar os jurados

28/02/2014 | 01h06
Ansiedade marca véspera dos desfiles no Porto Seco, em Porto Alegre Diego Vara/Agencia RBS
Correria para ajustar alegorias vai até o momento do desfile Foto: Diego Vara / Agencia RBS

A pomba da Unidos de Vila Isabel já estava batendo asas em direção à passarela na manhã desta quinta-feira. Como o último adereço do carro alegórico não cabia no barracão, o jeito foi colocar o carro na rua antes da hora. Na véspera da primeira noite de desfiles do grupo especial do Carnaval de Porto Alegre, a cena traduzia bem o clima no Porto Seco: ansiedade para ver brilhando na avenida o resultado do trabalho dos últimos meses.

Trabalho também das últimas horas. O artista plástico Francisco Santos da Rocha, 50 anos e 28 Carnavais montando fantasias e alegorias, corria para fazer o acabamento do carro abre-alas da Estado Maior da Restinga, que irá homenagear a cantora Elis Regina na noite de hoje. Filho da compositora Ilza da Restinga, Chico 2, como é chamado no barracão, cresceu na quadra da escola. A mulher dele é uma das costureiras, o filho mais velho casou com uma componente e o mais novo toca na bateria da Tinga.

— É toda uma vida ligada ao Carnaval. Dá muito trabalho, às vezes a gente cansa, mas a emoção de ver as pessoas admirando um trabalho que você fez é muito grande — resume o artista, que prefere acompanhar o desfile pela TV, ali mesmo, no barracão.

Na Imperadores do Samba, a auxiliar de serviços gerais Maria dos Santos, 39 anos, terminava de colar lantejoulas nos adereços que serão usados por mais de 2 mil componentes na segunda noite de desfiles.

— Isso vai até o último minuto. Na concentração, a gente ainda vai lá conferir se não tem nada descolando das fantasias — conta, deixando claro que a preocupação com cada detalhe só termina depois da dispersão.

Além da dedicação de amadores apaixonados por suas escolas, profissionais do carnaval têm atuado no Porto Seco há meses. Na Bambas da Orgia, o carnavalesco carioca Marco Aramha, 50 anos, foi um dos contratados para fazer a atual campeã brilhar novamente na avenida. Desde 2002, ele circula por agremiações de Rio, São Paulo, Minas Gerais e agora estreia em Porto Alegre.

— Tentamos trazer novas técnicas de trabalho, desde o modo como o artista usa a cola até o tipo de material usado nas alegorias. O porto-alegrense vai ver coisas novas na avenida este ano — promete o carnavalesco da escola, que irá defender o enredo sobre a obra de Moacyr Scliar hoje à noite.

A Tinga preferiu buscar reforço em Parintins, no Amazonas, terra das festas de boi-bumbá. Como lá a folia ocorre em junho, de agosto para cá, Lucas Costa Silva, 23 anos, tem se dedicado a esculpir carros alegóricos no outro extremo do país. Terminado o desfile, volta para casa para preparar a festa do boi.

— Achei diferente quando me chamaram para trabalhar no Carnaval em Porto Alegre, não sabia que tinha essa estrutura aqui — diz o jovem, que vai passar pela avenida dentro de um carro alegórico, já que ele mesmo é o responsável pelos movimentos de uma de suas criações.

Com luzes e coreografias, o que os carnavalescos querem, sejam amadores ou profissionais, é encantar o público e impressionar os jurados na passarela do samba.

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