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Dilma defende harmonia, mas evita demanda de Tarso para aprovar projeto por renegociação da dívida dos Estados

Projeto que beneficia RS, motivo de tensão entre com o Piratini, sequer foi mencionado na visita

21/02/2014 | 06h05
Dilma defende harmonia, mas evita demanda de Tarso para aprovar projeto por renegociação da dívida dos Estados Adriana Franciosi/Agencia RBS
Dividindo palco com rainha e princesas da Festa da Uva, presidente assinou cacho simbólico Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Motivo de tensão recente entre Planalto e Piratini, o projeto de renegociação da dívida dos Estados e municípios ficou fora das rodas de conversa envolvendo a presidente Dilma Rousseff (PT), na quinta-feira, em sua passagem pelo Rio Grande do Sul.

Oportunidades, no entanto, não faltaram. A petista almoçou com o governador Tarso Genro (PT), o presidente da Assembleia, Gilmar Sossella (PDT), o senador Paulo Paim (PT) e o prefeito de Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho (PDT), na companhia de seis ministros.

Por cerca de uma hora, trataram de assuntos “leves”, como a Festa da Uva, a entrega de maquinário a prefeitos, a qualidade do tempero do galeto e o sabor das massas servidas — Dilma provou e aprovou todas. Depois da refeição, a presidente posou para foto com cozinheiros e garçons.

Sossella disse ter sentido falta de disposição do governo para votar a proposta neste ano:

— Ela não deu margem para falar, e a gente não tocou no assunto para evitar uma indigestão.

O silêncio de Dilma frustrou o Piratini, que esperava dela, ao menos, uma previsão sobre a votação no Senado. Tarso — que recentemente classificou de “incabíveis e inaceitáveis” os argumentos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para justificar o adiamento da proposta — reconheceu que a visita ao RS não era um momento adequado para cobranças. Nos discursos, foi só elogios à relação da União com o Estado e aos investimentos realizados.

Na quarta-feira, o Planalto voltou a barrar a análise do projeto que muda o indexador da dívida, impedindo a inclusão do texto na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Nos bastidores, troca de bilhetes e semblante sério

No primeiro compromisso em Caxias, Dilma surgiu com aparência séria. Recebeu aplausos ao chegar, mas isso não eliminou a aparente tensão.

Enquanto autoridades faziam os primeiros discursos, Dilma parecia cobrar explicações do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. E recebia as respostas em bilhetes. A descontração só foi manifestada quando entregou maquinários a 118 municípios, recebeu abraços e posou para fotos.

Nos 23 minutos de discurso, a presidente destacou o apoio do governo federal às prefeituras e à indústria de máquinas. Disse que a entrega dos equipamentos a conta-gotas decorre do prazo que as empresas precisam para fabricá-los. Também ressaltou o “cuidado” da sua gestão  com a educação e a atenção à mobilidade urbana.

Durante a visita a Caxias, Dilma foi blindada por seguranças e não falou com a imprensa. Na Festa da Uva, o clima foi de descontração. Ao abrir o evento, ela anunciou a publicação do decreto da Lei do Vinho e da portaria do preço mínimo da uva.

O tema da 30ª edição do evento — a alegria da diversidade — serviu de inspiração para o segundo discurso da presidente, que durou 30 minutos e foi uma espécie de recado diante das ameaças de protestos durante a Copa:

— É muito importante que este país seja capaz de se olhar no espelho e se afirmar. Estamos construindo um país que respeita as diferenças. A Copa do Mundo será um momento especial para se exercitar o convívio harmonioso. Será a Copa da paz e da alegria da diversidade.

Presente na cerimônia, o técnico da Seleção, Luiz Felipe Scolari, recebeu homenagem especial da presidente e foi ovacionado ao aparecer para assinar o cacho de uva símbolo da festa:

— Ele (Felipão) tem nosso apoio e, sobretudo, nosso coração e torcida.

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