Em Busca de sintonia

Em Porto Alegre, Eduardo Campos e Marina Silva discutem relação entre PSB e Rede

Encontro em Porto Alegre, que também contará com a participação do PPS, servirá para formular as diretrizes do programa de governo

22/02/2014 | 07h07

Em meio a impasses envolvendo coligações estaduais, Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, e Marina Silva, ex-senadora e líder da Rede, participam, hoje, em Porto Alegre, do primeiro encontro regional dos partidos. Também integrado à aliança de Campos, o PPS terá Roberto Freire, deputado federal e presidente nacional da sigla, como seu principal representante.

Mais de 1,5 mil pessoas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são esperadas para o evento, na Assembleia Legislativa, que vai discutir as diretrizes do programa de governo.

Desde outubro - quando anunciaram a aliança -, PSB e Rede trabalham para aparar as arestas. No RS, a aproximação de Campos com a senadora Ana Amélia Lemos (PP), possível candidata ao Piratini, não é vista com bons olhos por uma ala do próprio PSB e pelos integrantes da Rede. O ponto de divergência está na atuação da senadora em defesa do agronegócio. Em Goiás, Marina derrubou a aliança que Campos fechava com o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), também reconhecido pela ligação com o setor.

A aproximação de Ana Amélia e Campos começou no ano passado. Em agosto, a senadora ciceroneou o socialista na Expointer. Para minimizar as resistências a uma possível aliança com o PP, lideranças do PSB tem reforçado a tese de que a prioridade do partido deve ser o desempenho de Campos no RS.

- O resultado da votação do Campos depende muito da aliança que faremos aqui no Estado, e a Ana Amélia é hoje quem tem mais condições de fortalecer nossa candidatura - diz o deputado José Stédile (PSB).

Ele acredita que as resistências devem ser vencidas, pois estima que mais de 80% do partido é favorável à parceria com os progressistas.

Na semana passada, o grupo contrário à coligação avaliou que as declarações do deputado federal Luis Carlos Heinze (PP) - que criticou quilombolas, homossexuais e índios e pregou a contratação de segurança privada pelos produtores rurais para manter a posse da terra - acentuaram as diferenças entre os partidos. Um dos porta-vozes da Rede no RS, Montserrat Martins, acredita que o apoio à Ana Amélia criaria constrangimentos, já que a senadora apoiou a "descaracterização" do Código Florestal, alvo de críticas de Marina.

Presidente do PSB estadual, o deputado Beto Albuquerque diz que o tema das coligações não estará na pauta de hoje. Segundo ele, as negociações com PP e PMDB estão em andamento e não haverá definição antes de abril. Mas socialistas já admitem que as chances de aliança do PMDB são cada vez mais remotas.

 
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