Cena repetida

Incêndio na zona norte reitera falta de estrutura dos bombeiros em Porto Alegre

Chuva, que aumentou no começo da madrugada, também ajudou a reduzir o volume do fogo

26/02/2014 | 06h12
Incêndio na zona norte reitera falta de estrutura dos bombeiros em Porto Alegre Diogo Zanatta/Agencia RBS
Bombeiros tiveram ajuda de civis e de caminhões-pipa terceirizados no atendimento Foto: Diogo Zanatta / Agencia RBS

Assim como no incêndio do Mercado Público, em julho do ano passado, a carência na infraestrutura dificultou a atuação do Corpo de Bombeiros da Capital na ocorrência registrada na zona norte, durante a noite de terça-feira e o início da madrugada desta quarta-feira.

Apesar de as viaturas chegarem à zona norte poucos minutos após o chamado, foi preciso esperar uma hora até que uma segunda escada Magirus, por exemplo, fosse levada até o local.

Enquanto isso, os bombeiros utilizaram a única escada mecânica disponível na cidade. Na época do incêndio no Mercado Público, Porto Alegre já contava com apenas uma escada em funcionamento, quando o ideal seria ter pelo menos três, de acordo com a corporação.

Os percalços enfrentados indignaram moradores da região e funcionários das empresas que acompanharam o combate às chamas. Presidente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar, o tenente coronel José Carlos Riccardi Guimarães criticou a fragilidade dos bombeiros:

— Só temos uma escada magirus, e isso não é novidade. Desde o incêndio no Mercado Público, já alertava isso. Bombeiros pedem socorro.

O próprio subcomandante da corporação em Porto Alegre, major Rodrigo Dutra, admitiu que toda a Região Metropolitana só dispõe de uma escada mecânica:

— Felizmente, o incidente se deu em uma zona desabitada e industrial. Senão, a tragédia poderia ser maior.

A carência não se resume só a escadas. Outra situação considerada complicada envolve a falta de viaturas. Segundo a Associação dos Bombeiros do Rio Grande do Sul (Abergs), enquanto o ideal seria ter pelo menos dois caminhões por estação, hoje apenas uma viatura guarnece cada posto.

Confira mais fotos do local:

Comandante dos bombeiros da Capital, o tenente-coronel Adriano Krukoski conta que desde 1998 a corporação não recebe viaturas compradas pelo Estado.

Na noite de terça-feira, a corporação teve a ajuda de caminhões-pipa terceirizados, que garantiram água para o atendimento. Também houve o reforço de 20 civis, que se somaram aos 40 bombeiros para auxiliar no combate às chamas.

Coordenador da Abergs, Ubirajara Ramos também se queixa da ausência de efetivo ideal. Hoje, há 2,6 mil bombeiros no Estado, enquanto, segundo a entidade, o ideal seria ter 10 mil.



Na Estação Passo D’areia, responsável pela área do DC Shopping, onde ocorreu o incêndio desta terça-feira, seriam necessária mais duas estações. As bases Sarandi e Anchieta estão previstas em projeto para desafogar a região, mas nunca saíram do papel, argumenta Ramos:

— Há mais de cinco anos há essa promessa. A cidade cresceu para os lados da Zona norte, a população aumentou e, mesmo assim, o projeto não saiu do papel. Se der duas ocorrências ao mesmo tempo, não tem como atender.

Veja o local do incêndio:

 
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