Portugal e Espanha

Análise dos restos mortais de Jango será realizada na Europa

Resultado dos exames toxicológicos deve ser conhecido até o final de julho

10/03/2014 | 10h00
Análise dos restos mortais de Jango será realizada na Europa Diego Vara/Agencia RBS
Exumação do corpo de João Goulart foi realizada em novembro de 2013, em São Borja Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Mantidos em sigilo desde o ano passado pelo governo e pela Polícia Federal, os laboratórios que farão análises dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, o Jango, ficam em Portugal e na Espanha.

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A expectativa das autoridades e de familiares é de que o resultado dos exames toxicológicos que poderão apontar se Jango sofreu morte natural ou foi envenenado por ditaduras do Cone Sul na Operação Condor seja conhecido até o final de julho.

Na Espanha, o laboratório escolhido fica na Universidade de Murcia. Amostras de material ósseo do ex-presidente já chegaram ao local. No caso português, a Universidade de Coimbra ainda está em processo burocrático para receber, nos próximos dias, tecidos moles coletados dos restos de Jango, exumado em novembro de 2013.

Com o envio de tipos de amostras diferentes para os laboratórios, a intenção é obter respostas complementares nos laudos finais. Como já se passaram mais de 37 anos da morte do ex-líder trabalhista, também é possível que os exames sejam inconclusivos.

Critérios técnicos embasaram a escolha dos locais das análises, mas também pesou o viés político. Desde o início do processo de exumação, a família de Jango se opôs ao envio do material coletado aos Estados Unidos. A justificativa é de que antigos agentes da CIA são suspeitos de terem participado da suposta Operação Escorpião, que teria culminado com o envenenamento de Jango.

Essa versão é sustentada por Mario Neira Barreiro, uruguaio que diz ter participado da ação para matar Jango. Por outro lado, não são poucos os biógrafos, estudiosos e velhos amigos de Jango que ridicularizam a história contada por Barreiro, assegurando que a Operação Escorpião não existiu.

Para buscar esclarecimentos sobre o episódio, Christopher Goulart, neto do ex-presidente, tentará se reunir nesta semana com a procuradora do Ministério Público Federal Suzete Bragagnolo, que investiga o caso desde 2007, para solicitar novamente a abertura de pedido judicial para tomar depoimento de Frederick Latrash e Michael Townley, ambos agentes da CIA suspeitos de terem responsabilidades na morte de Jango.

Em 2013, a procuradora disse que era preciso avançar com cuidado porque os depoimentos de Barreiro, fonte da versão de envolvimento da CIA, já haviam se mostrado contraditórios.

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