Três anos de guerra na Síria

Assad quer continuar combate contra rebeldes

Desde o início do conflito, o regime de Assad chama de "terroristas" os insurgentes que procuram derrubá-lo

12/03/2014 | 16h55
Assad quer continuar combate contra rebeldes HO / SANA/AFP
Presidente sírio Bashar al-Assad foi visto visitando centro de deslocados de al-Dueir Foto: HO / SANA / AFP

O presidente sírio Bashar al-Assad declarou nesta quarta-feira sua determinação em continuar a guerra contra os rebeldes durante uma rara visita a pessoas deslocadas pelos combates perto de Damasco, segundo a imprensa estatal.

— O Estado vai continuar a combater o terrorismo e os terroristas que fizeram cidadãos se deslocarem de suas casas e que cometeram crimes hediondos — disse Assad, enquanto que o conflito que devasta a Síria e fez mais de 140.000 mortos entra no sábado em seu quarto ano.

 
Homens são vistos carregando crianças para fora de prédio em chamas após bombardeio à Aleppo, em fevereiro
Foto: BARAA AL-HALABI/AFP

Desde o início do conflito, desencadeado em 15 março de 2011 por uma contestação pacífica que, diante da repressão, se transformou em rebelião armada, o regime de Assad chama de "terroristas" os insurgentes que procuram derrubá-lo.

Assad visitou o centro de deslocados de al-Dueir, na cidade de Adra, na província de Damasco, segundo a televisão e a agência SANA.

Ele "inspecionou a situação dos deslocados internos", "ouviu as suas queixas" e está "consciente das condições de sua estadia" no centro.

— O Estado continuará a fornecer as necessidades básicas das pessoas deslocadas até que possam regressar às suas casas — garantiu Assad.

Uma foto postada no Twitter oficial do seu gabinete mostra o chefe de Estado conversando com mulheres e crianças no centro. Em outras fotos divulgadas no final do dia pela SANA, Assad aparece de pé, cercado por seus guarda-costas, beijando crianças.

Uma foto mostra o presidente sírio, vestindo um terno e camisa branca sem gravata, apertando as mãos de uma mulher idosa e em outra um homem com quatro crianças e duas mulheres.

A cidade de Adra está localizada a nordeste da capital síria. Ela tem sido palco de combates entre rebeldes e forças do regime, que lançou uma grande ofensiva em dezembro para expulsar os insurgentes da região.

A última aparição pública do presidente sírio foi em janeiro, quando participou de uma oração em uma mesquita em Damasco.

Assad anunciou em janeiro à AFP que "provavelmente" seria candidato à reeleição presidencial, apesar da guerra que assola o país.

Nesta quarta, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou Moscou e Washington a reativar as negociações de Genebra entre o regime sírio e a oposição armada, por ocasião do aniversário do terceiro aniversário do início do conflito na Síria.

Segundo um comunicado de seu porta-voz, Ban "convocou os países da região e a comunidade internacional, em particular a Rússia e os Estados Unidos, como promotores da conferência de Genebra sobre a Síria, a adotar medidas claras para reativar o processo de Genebra".

As negociações, chamadas de "Genebra 2", foram interrompidas após uma segunda sessão infrutífera e não foi fixada nenhuma nova data para sua retomada, com ambos os campos sem entrar em acordo na ordem do dia dos trabalhos propostos pelo mediador Lakhdar Brahimi.

O mediador deve prestar contas na quinta-feira sobre sua missão ante o Conselho de Segurança da ONU.

Ban também fez um apelo pressionando o regime e a oposição a "dar mostras de responsabilidade, de visão e de flexibilidade para responder a este desafio". O secretário-geral pediu que "ajam a partir de agora para colocar fim à tragédia que se desenvolve na Síria".

A guerra na Síria "é atualmente a maior crise humanitária e de segurança no mundo, com uma violência que alcança níveis impensáveis", destacou Ban. O funcionário prestou homenagem aos vizinhos da Síria que "sofrem os efeitos cada vez mais insuportáveis deste conflito".

Ban "criticou a incapacidade da comunidade internacional, da região e dos próprios sírios em colocar fim ao conflito" e reafirmou que "apenas uma solução política pode tirar o povo sírio deste pesadelo".

De acordo com dados da ONU, cerca de 2,5 milhões de sírios, incluindo 1,2 milhões de crianças, fugiram do seu país em busca de refúgio, enquanto 6,5 milhões foram deslocados no interior do país.

 
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