Chimarrão no samba

Banda da Saldanha anima o Carnaval de rua do Rio de Janeiro nesta terça-feira

Este é o sexto ano consecutivo que o bloco porto-alegrense desfila na Cidade Maravilhosa

04/03/2014 | 08h01
Banda da Saldanha anima o Carnaval de rua do Rio de Janeiro nesta terça-feira Carlos Macedo/Agencia RBS
Banda da Saldanha é o único bloco de outro Estado que integra a folia carioca Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Não fosse pelas camisetas do Inter e do Grêmio e alguma eventual cuia de chimarrão correndo de mão em mão, quem passa pela Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, em uma terça-feira de Carnaval, quase não acredita que o bloco que arrasta uma multidão de 40 mil pessoas vem da terra do fandango.

Único bloco de outros Estados dentre os quase 500 que integram a folia carioca, às 16h desta terça a Banda da Saldanha desfila na Cidade Maravilhosa pelo sexto ano consecutivo. A história que começou no bairro Menino Deus há 35 anos e acaba de ser registrada no primeiro CD/DVD ganha seguidores e é reconhecida como parte do patrimônio sociocultural de Porto Alegre.

O sucesso que veio de carona com a gravação fez os gaúchos ganharem uma agenda de shows mais organizada e mudar até a forma de deslocamento para o Rio de Janeiro: este ano é a primeira vez em que todos os integrantes viajaram de avião. Antes, encaravam 24 horas de ônibus para chegar à terra do Cristo Redentor. Todo o investimento para o desfile — das passagens à estadia — provém dos 13 ensaios que ocorrem no ano, com a portaria a R$ 10.

Formada na sua essência por militares da reserva e ex-integrantes da banda do Exército e da Brigada Militar, a Banda da Saldanha tem um repertório que aposta na variedade como artimanha para cativar o público. Seja nos ensaios na quadra, situada ao lado do Estádio Beira-Rio, nos shows pelo Estado ou no Carnaval carioca, atrai gente de todo o tipo; de crianças a idosos, profissionais liberais a ambulantes, da elite à favela.

— Quem vem na quadra quer ser feliz, se divertir de um jeito simples. O pobre vem porque, muitas vezes, é a única opção de lazer, e o rico porque se sente bem, quer ser o amigão da galera. Todo mundo se mistura, é um espaço democrático — diz Diogo Fonseca, o Dioguinho, filho do fundador, Pedro Diogo da Fonseca.

Criada em 1975, a banda saiu dos arredores da Rua Saldanha Marinho para ganhar a cidade de Porto Alegre e, em pouco tempo, conquistar a cidade maravilhosa. Ex-jogador de futebol, Diogo certa vez foi desafiado pelo dono de um bar carioca, que duvidou que gaúcho entendesse de samba. Ele não se acanhou.

 
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