Briga pelo Piratini

Candidatos disputam alianças para o governo do Rio Grande do Sul

Com a pré-convenção do PMDB, marcada para o dia 15, pelo menos cinco candidaturas ao governo do Estado estarão consolidadas

08/03/2014 | 07h04

A definição da candidatura própria do PMDB, último partido de maior representatividade do Estado que ainda seguia sem posição, jogou luzes sobre o jogo político que envolve a disputa pelo Piratini. O candidato peemedebista será escolhido em pré-convenção em 15 de março, tendo José Ivo Sartori e Paulo Ziulkoski como postulantes. Com isso, seis candidaturas estarão no páreo, cinco delas em caráter praticamente irrevogável.

A sete meses das eleições, Tarso Genro (PT), Ana Amélia Lemos (PP), Vieira da Cunha (PDT) e Roberto Robaina (PSOL) já são nomes consolidados. José Paulo Cairoli (PSD) tenta ser candidato, mas ainda pode acabar como vice em outra chapa.

Entre os peemedebistas, ninguém desdenha da capacidade de mobilização do deputado federal Eliseu Padilha, cabo eleitoral de Paulo Ziulkoski, lançado para alinhar o PMDB gaúcho ao PT de Dilma Rousseff.

Mas a maioria das lideranças do partido acredita na vitória de José Ivo Sartori, ex-prefeito de Caxias, na pré-convenção. Se indicado, Sartori deverá se aproximar de Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB).

Diante do impasse no palanque nacional, o presidente estadual do PMDB, Edson Brum, diz que a prioridade é definir o candidato ao governo gaúcho. As questões nacionais ficam para depois, em segundo plano. Atrasado, o partido terá de correr atrás de aliados. Ainda há esperança de contar com o apoio de PSB e PPS. Lideranças do PSDB e do PSD também estão sendo contatadas.

Outro candidato definido é Vieira da Cunha (PDT). Ele confia na confirmação de aliança com DEM e PSC, e ainda negocia com PSDB e PSD, siglas que poderão indicar o seu vice. Apesar de o PDT nacional estar encaminhando apoio a Dilma, Vieira diz que uma resolução a ser lançada nos próximos dias dará autonomia a alguns diretórios estaduais. Isso permitirá que ele abra seu palanque ao tucano Aécio, o que garantiria o apoio e o tempo de TV do PSDB.

Disputado por outros partidos e com pouca base política, o ex-presidente da Federasul José Paulo Cairoli (PSD) pretende estudar até o início de abril a possibilidade de concorrer ao Piratini. As apostas, contudo, são de que ele deverá ser candidato a vice. PDT e PMDB estão de olho no apoio do partido liderado nacionalmente por Gilberto Kassab.

Tarso e Ana Amélia apostam em chapas amplas

Embora já tenha condicionado a ideia de lançar-se novamente candidato à aprovação da renegociação da dívida do Estado com a União e à exclusividade na dobradinha com Dilma, o governador Tarso Genro é peça dada como certa na disputa. Ele e o presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, já negociam alianças.

A coligação de Tarso, por enquanto, desponta como uma das mais amplas. O PTB indicará o vice, e a chapa será integrada também pelo PC do B. Siglas como PR e PRB, ambas de considerável capilaridade no meio evangélico, são cotadas para confirmar a parceria com o PT. O PRB, inclusive, ampliou seus espaços no governo estadual após as saídas do PSB e do PDT da base aliada.

— Podemos apoiar o PT, o PP ou o PDT, partidos do arco de alianças da presidente Dilma. Essa foi a orientação da nossa direção nacional — desconversa o deputado estadual Carlos Gomes, presidente do PRB gaúcho.

Ana Amélia Lemos (PP) também busca montar uma grande aliança. Apesar de o PSB ainda enfrentar indefinições e preferências locais pelo apoio ao PMDB, existe uma tendência de que os socialistas indiquem o vice de Ana Amélia, o que abriria o palanque ao presidenciável Eduardo Campos (PSB) no Estado. Nesta conjuntura, o PPS deverá se incluir no movimento.

Setores do PSB resistem ao acordo com o PP. A determinação nacional, contudo, é no sentido da aliança com Ana Amélia, por dois motivos: para tentar agregar mais votos a Campos e para evitar que a senadora reforce o palanque de Aécio, rival do PSB por uma eventual vaga no segundo turno ao Planalto. Nem mesmo a resistência de Marina Silva (Rede/PSB) aos nomes do PP, sigla ligada ao agronegócio, deverá fazer o PSB mudar de ideia.

Um bloco político-eleitoral formado por Solidariedade, PROS e PHS também é cobiçado por diversos partidos.

— Eu acredito que hoje, faltando alguns detalhes para serem fechados, estamos mais próximas da Ana Amélia — diz o vereador de Porto Alegre Clàudio Janta, presidente estadual do Solidariedade.

Ana Amélia Lemos (PP)

Aposta em dobradinha com o PSB, que deve indicar o vice, mas a possibilidade ainda é incerta. Também poderá ter o apoio do Solidariedade, do PROS e do PHS, que estão atuando em bloco. O PPS, que está mais alinhado aos movimentos do PSB por conta da decisão de apoiar o presidenciável Eduardo Campos, deverá ficar com a vaga ao Senado.

José Ivo Sartori ou Paulo Ziulkoski (PMDB)

Disputa o apoio do PSB com o PP. Nesse caso, o PSB indicaria o candidato a vice-governador na chapa. Também está em tratativas com PSD e PSDB. Como será o último partido a definir os detalhes da candidatura, enfrentará dificuldades pelo atraso. Muitas alianças já estão alinhavadas por outros concorrentes.

José Paulo Cairoli (PSD)

Já teve rodadas de conversas com praticamente todos os representantes dos principais partidos. Por enquanto, optou por rodar o Estado para medir as suas chances de lançar uma candidatura ao Piratini com viabilidade. A decisão deverá sair até o início de abril. As apostas são de que Cairoli deverá acabar sendo candidato a vice, possivelmente nas chapas do PDT ou do PMDB.

Roberto Robaina (PSOL)

Fragmentada em eleições anteriores, a extrema esquerda deverá disputar o Palácio Piratini unida em 2014. As negociações encaminham o apoio do PCB e do PSTU à candidatura de Roberto Robaina. O PCB tende a indicar o candidato a vice-governador na chapa e o PSTU possivelmente ficará com a vaga ao Senado.

Tarso Genro (PT)

É praticamente certo que o governador terá um vice do PTB. Também deverá contar com o apoio do PC do B, que fará a indicação do candidato ao Senado. Tem boas perspectivas de contar com os apoios do PR e do PRB. Ainda negocia a manutenção da parceria com o PPL, que, no campo nacional, se aproxima do PSB de Eduardo Campos.

Vieira da Cunha (PDT)

Tenta convencer o empresário José Paulo Cairoli, do PSD, a ser o candidato a vice-governador na chapa. Outra possibilidade é a aliança com o PSDB. Neste caso, o pedetista contaria com a autorização da direção nacional para abrir o seu palanque ao presidenciável tucano Aécio Neves. Também espera receber o apoio do DEM e do PSC.

 
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