Internado sob custódia

Família de jovem baleado em Novo Hamburgo diz que ele foi confundido com ladrão

Júlio César Conte, 19 anos, foi atingido com um tiro na cabeça durante a perseguição

24/03/2014 | 20h10

Um homem de 19 anos está sob custódia da polícia no Hospital Municipal de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, suspeito de ser um dos bandidos envolvidos em uma troca de tiros com a Brigada Militar na madrugada de domingo. Júlio César Conte foi atingido com um tiro na cabeça durante a perseguição e precisou ser internado. A família, porém, afirma que ele foi confundido com os ladrões e que não é um dos assaltantes.

O jovem foi baleado quando chegava em casa com a mulher e um casal de primos no bairro Canudos. Ele estava na carona do Corsa atingido pela Tucson — de placas clonadas —, que era seguida pela Brigada desde o bairro Santo Afonso, do outro lado da cidade. Segundo Róger Roberto de Oliveira, motorista do Corsa, a Tucson atingiu a traseira do carro no qual eles estavam e continuou acelerando, arrastando o veículo até parar em um beco da Rua José Carlos Pace.

— Meu primo saiu se arrastando do carro, gritando que a gente era família. O tiro veio de um policial que estava vindo em direção ao nosso carro. O Júlio não estava de pé para ser confundido com um dos bandidos — afirma Oliveira.

Conte foi socorrido na viatura da polícia, que, segundo o primo, não queria prestar o socorro e teria pedido para que a família providenciasse a ida do jovem ao hospital. Os outros dois baleados no confronto também foram socorridos em carro da Brigada. Alaércio Paranha Machadom, o Didio, de 31 anos, que era detento do semiaberto de Novo Hamburgo, foi atingido com um tiro no tórax e permanece hospitalizado. Já Rogério Melo Siqueira, de 24 anos, conhecido como Baixinho, atingido na perna, foi liberado ainda no domingo e encaminhado ao presídio.

O comandante da BM no Vale do Sinos, tenente-coronel Carlos Marques, afirma que os policiais agiram corretamente e que só houve troca de tiros porque os bandidos se refugiaram em um beco, que é ponto conhecido de venda de drogas. A BM também irá abrir um inquérito para apurar a conduta dos brigadianos.

A Polícia Civil, que investiga o caso, recolheu na manhã desta segunda-feira o Corsa envolvido na ação. Na madrugada de domingo, apenas a Tucson e a viatura da Brigada foram periciadas. De acordo com o delegado Nauro Marques, as causas da origem do tiro que atingiu Conte ainda serão investigadas.

— Nós temos duas versões e precisamos investigar com cautela — afirma.

Mãe afirma que filho está algemado

A mãe do jovem, Rosane Maria Amador do Reis, reclama da falta de informação sobre o quadro clínico do filho e da dificuldade em poder entrar no quarto onde ele está internado. Segundo Rosane, Júlio César está algemado à cama e com um policial vigiando a entrada e saída do local. A única notícia, segundo ela, foi dada no domingo após a cirurgia que Júlio César precisou fazer para a retirada da bala, que ficou alojada na cabeça.

— É muito triste. Meu filho é está sendo tratado como bandido, mas ele não é.

Júlio César era vendedor ambulante de churrasquinho, e neste final de semana estava trabalhando junto com a família no desfile de Carnaval de São Leopoldo. O jovem voltou até a casa da avó, onde morava com a esposa e uma filha de cinco meses, para a casa buscar casacos, pois fazia frio durante a madrugada na Avenida Dom João Becker.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o quadro clínico do jovem é estável, mas exige cuidados.

ENTREVISTA
Róger Roberto de Oliveira, motorista do Corsa

Zero Hora — Em que momento o carro de vocês cruzou com a polícia e os bandidos?
Róger Roberto de Oliveira —
A gente estava entrando na Rua José Carlos Pace quando a Tucson acertou a traseira do meu carro e saiu no empurrando.

ZH — Neste momento já havia troca de tiros?
Oliveira —
Não. O tiroteio começou assim que a Tucson atingiu o meu carro e assim perdeu velocidade.

ZH — O seu Corsa foi atingido por muitas balas?
Oliveira —
Não. Como a Tucson é grande ela serviu de proteção para o meu carro. Ninguém foi atingido dentro do Corsa.

ZH — A troca de tiros parou quando?
Oliveira —
A Tucson foi empurrando a gente até o fim do beco e foi ali que o negócio ficou acirrado. A polícia só parou quando viu que meu primo tinha sido atingido.

ZH — Como foi a situação do tiro no seu primo?
Oliveira —
Ele começou a gritar que a gente era de família, mas não adiantou. Quando o carro parou no fim do beco ele saiu se arrastando no chão e gritando. Foi aí que ele foi atingido na cabeça.

ZH — Você viu de onde veio o tiro que atingiu seu primo?
Oliveira —
Eu estava dentro do carro, mas vi que um policial estava perto e atirou. Não sei o que ele pensou, se era só para assustar e deu um tiro para o chão, o fato é que acertou meu primo.

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